Por Lucas Rohãn O gaúcho é considerado o mais bairrista dos brasileiros. Só o Rio Grande do Sul tem o chimarrão, o “tchê” e um ritmo musical próprio. Também é o único povo que sabe a letra do Hino do seu estado, cantado intensamente em qualquer solenidade importante.
Poucos param para analisar a letra de alguma música, quem dera de um hino estadual. Mas a letra do Hino Rio-Grandense, composto por Francisco Pinto da Fontoura, é interessante de ser analisada, sobretudo porque possui um trecho que abre precedente para dupla interpretação: “Mas não basta p’ra ser livre ser forte aguerrido e bravo; povo que não tem virtudes acaba por ser escravo”.
Quis dizer o letrista que negros e índios foram escravizados por que não possuíam virtudes? Ou a palavra “escravo” foi usada como adjetivo, afirmando que povo sem virtudes torna-se “sujeito à alguém, como propriedade”, como diz o dicionário?
O fato é que, mesmo se foi usada com a melhor das intenções, a dupla interpretação põe em dúvida o orgulho do gaúcho em seu hino. À época em que a letra foi composta a palavra “escravo” lembrava mais os negros e índios escravizados do que o adjetivo que é, por isso subentende-se que o compositor, ao escrever a letra do Hino do Rio Grande do Sul, provavelmente teria usado a palavra para referir-se, justamente, aos escravos, o que torna o Hino preconceituoso.
O letrista não expôs sua interpretação sobre e letra que escreveu, deixando a dúvida que fere o orgulho gaúcho daqueles que descendem dos escravos, tão fundamentais em toda a história gaúcha, e criticados através de um símbolo do Estado. O Hino Rio-Grandense já sofreu três alterações ao longo da história, sendo assim, nada custaria mudar pela quarta vez…
