Meu nome é Jean, tenho 28 anos e sou formado em Publicidade e Propaganda pelo Centro Metodista IPA. Atualmente, moro em Dublin, na Irlanda, onde divido meu tempo entre o trabalho em restaurantes e o mercado audiovisual.
2 – Quando e como decidiu morar fora do Brasil?
Eu trabalhava como assessor de Comunicação na Prefeitura de Viamão desde 2014, porém era uma função que eu não via mais perspectiva, então, em 2018, senti a necessidade de mudar. Eu precisava me desafiar mais, por consequência evoluir meu inglês e viver minha própria liberdade. O intercâmbio foi uma válvula de escape e uma visão de futuro, tanto profissional quanto pessoal.
3 – Como foi a experiência de participar das gravações de ‘Vikings: Valhalla’?
Foi surreal! A primeira experiência que eu tive no mundo das grandes produções. Participei por três meses em frente às câmeras, como figurante, e aprendi figuras de luta, como usar uma espada e até como atirar com arco e flecha. Durante este tempo, parei para analisar cada pessoa que trabalha na produção, desde os dublês até o diretor.
Era um grande sonho participar de uma produção do porte da Netflix. Foram três meses de estudos, conversas e contatos, tanto com brasileiros quanto com estrangeiros. Até que tomei coragem e perguntei à assistente de câmeras, uma brasileira chamada Camila Gomes, como eu poderia fazer para trabalhar na produção e se ela tinha alguma dica para me dar. Na mesma hora, ela falou: “Posso tentar um teste pra você como trainee de câmera”. Foi como eu passei para trás da câmera.
4 – Como foi ter o contato com o trabalho atrás das câmeras?
De figurante para atrás das câmeras foi outro passo que eu nunca imaginei que daria. Eu, um brasileiro, estudante, imigrante, participar de uma série desse porte era inimaginável. Estava muito nervoso no primeiro dia, não sabia como seria ou o que me esperava, pois tinha apenas pego algumas dicas com a Camila e ela não estava ao meu lado na minha estreia. Estava em outra unidade, e não tinha nenhum brasileiro, era tudo novo em uma língua que eu não era fluente. Mas, no fim, correu tudo bem.
Fui tranquilizado por todos ao meu redor, pois me disseram que era com o tempo que aprenderia todas as funções e nomenclatura de todos os equipamentos e o papel de cada um na equipe. Eu era o último da escadinha, o que levava café e comida para todos, desde o segundo assistente até o diretor de Fotografia, mas, pra mim, já era o máximo, pois, assim como estudei para ser figurante, me dedicaria para ser assistente.
Os dias foram passando e a equipe foi me ensinando, explicando as funções, nomes e como usar os equipamentos, montar câmeras, tripés, trocar baterias, colocar cenas e takes na claquete. Nada podia dar errado, pois meu erro prejudicaria a todos. Terminei a temporada trabalhando alguns dias de segundo assistente, aquele que bate a claquete, no Vinkings: Valhalla, assim como em outras produções. Também ajudei outros trainees, assim como me ajudaram no início.
5 – Quais são os seus planos para daqui a cinco anos?
Eu sempre soube que queria trabalhar no audiovisual, porém não entendia se em frente ou atrás das câmeras. Com essa experiência entendi que a produção é uma carreira que quero seguir. Aqui fora, as coisas para os estrangeiros podem andar um pouco mais devagar, paciência é tudo e saber esperar é o diferencial, as coisas acontecem no tempo que tem que acontecer. Cinco anos é um bom tempo, quero me especializar mais e quem sabe um dia ser o número um da escadinha, o diretor de Fotografia. O primeiro passo já foi dado, agora a paciência, o tempo e o estudo me guiarão para o meu objetivo maior.
