1 – Quem é você, de onde vem e o que faz?
Sou Paula Beckenkamp, tenho 46 anos, sou casada e tenho dois filhos. Natural de Cachoeira do Sul, vim morar em Porto Alegre assim que finalizei o Ensino Médio. Fiz minha graduação na Universidade do Vale do Rio do Sinos (Unisinos) e me formei há 22 anos. Sou advogada empresarial, especialista em Direito Digital com certificação internacional em Privacidade e Proteção de Dados. Minhas outras especializações são em Contratos, Direito do Trabalho, Marcas e Holding (Familiar e Rural). Atuei por 17 anos no poder Judiciário e no Ministério Público estaduais, sempre em locais de grande demanda e alta complexidade. Após esses anos no setor público, decidi reabrir o escritório do meu pai, em 2018. Desde então, venho atuando nas minhas áreas de especialização e conquistando um mercado carente de profissionais que prestem um atendimento humanizado e próximo ao cliente.
2 – Por que você optou pelo Direito?
A escolha pelo Direito foi bastante natural para mim, pois tinha o exemplo do meu pai em casa. Dedicado à profissão com amor, tinha especial paixão pelo Tribunal do Júri e pelo Direito de Família. Por um período, acreditei que seguiria nas mesmas áreas de atuação dele. No entanto, a área empresarial ganhou meu coração, especialmente quando percebi que é possível atender esse público com o mesmo entusiasmo e paixão que o Direito Criminal e Familiar exigem.
3 – Em março, você entrou para o time de colunistas do Coletiva.net. Como tem sido a experiência até aqui?
Primeiramente, é uma honra fazer parte de um grupo tão seleto de profissionais. O Coletiva.net é reconhecido pelo alto padrão do seu trabalho e dos seus colunistas. E é lisonjeiro fazer parte e poder contribuir com informação aos leitores. A busca pelo texto simples e com conteúdo relevante é sempre um desafio, especialmente porque a minha área não costuma ser uma das escolhas de leitura tradicional das pessoas. Então, sinto-me constantemente desafiada a entregar informação de qualidade e de fácil entendimento, para que os direitos dos cidadãos sejam bem compreendidos. É uma experiência fantástica!
4 – Você é especialista em Direito Digital e Proteção de Dados. Na sua visão, quais são os principais desafios da área atualmente?
Os desafios são muitos, como já esperávamos desde que a lei foi publicada, em 2018. O Brasil ainda é bastante atrasado no que diz respeito à cultura de privacidade e proteção de dados. O que é muito comum e incorporado na Europa, ainda depende de muito trabalho educativo e de conscientização por aqui. As pessoas precisam, primeiro, compreender a importância de ter seus dados pessoais protegidos pelas empresas que os manipulam. Da mesma forma, há necessidade de maior entendimento sobre como manter a privacidade em um mundo tão globalizado e tecnológico. Após quase cinco anos da publicação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e três de vigência, já temos inúmeras multas aplicadas pelos Programas de Proteção e Defesa do Consumidor (Procons), pelo Poder Judiciário e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT).
Em julho de 2023, nossa Autoridade Nacional de Proteção de Dados Pessoais (ANPD), depois de muito trabalho de sensibilização e educação sobre o tema, publicou a primeira multa aplicada com base no texto da lei, sinalizando que a legislação veio para ficar e será cobrada de qualquer tipo e tamanho de empresa. A expectativa, daqui para frente, é de que o cidadão se torne consciente sobre o direito de ter seus dados pessoais protegidos e, assim, passe a exigir das empresas que elas estejam adequadas à lei brasileira. Assim, de um lado teremos consumidores cada vez mais conscientes e, de outro, autoridades e órgãos públicos prontos para fiscalizar e aplicar as penalidades devidas.
5 – Quais são os seus planos para daqui a cinco anos?
Daqui a cinco anos espero estar colhendo os frutos do meu trabalho na área de Privacidade e Proteção de Dados Pessoais e vendo minha empresa e meu escritório crescerem exponencialmente. Tenho vários projetos acontecendo e muito trabalho sendo feito nas minhas áreas de especialização. Então, gostaria de ver eles todos frutificando e gerando mais empregos. Na vida pessoal, meu plano é passar as férias escolares de inverno em um local quente, curtindo muito esse momento com minha família.
