
Gestor da carreira do cantor e compositor Roberto Carlos por 30 anos, o empresário do show business brasileiro e fundador do DC Set Group, Dody Sirena, esteve presente no Summit Empreender 40+, em Porto Alegre, no Teatro do Bourbon Country. Ele conversou com a reportagem de Coletiva.net sobre as características que podem diferenciar carreiras duradouras de sucessos passageiros. “Acho que relacionado à música e a todas as atividades que, de uma certa forma, exigem essa conexão com o público, acima de tudo, é a autenticidade. Sempre que tem essa disposição de transmitir uma mensagem pela verdade, você se conecta”, disse.
Reconhecido por trazer nomes internacionais ao Brasil, como Michael Jackson, Paul McCartney e U2, ele salientou que muitos artistas que têm um talento com voz — mas não cantam a verdade e, sim, porque a música é bonita —, acabam não tocando no coração das pessoas. “Então, para ter o seu espaço e a sua conquista, tem que estar identificado com aquilo que acredita”, apontou.
Consistência ou viralização?
Ao analisar que estamos em uma era com uma grande transformação tecnológica, Dody explicou que as músicas, há um tempo, duravam por volta de quatro a cinco minutos, com o intuito de terem uma história com início, meio e fim. Contudo, atualmente, a indústria cobra que os compositores e os cantores reduzam esse espaço para dois minutos e meio.
“O refrão tem que estar logo no início para prestar atenção, porque as novas gerações já vêm com uma certa, digamos, ansiedade. Então, para você poder monetizar dentro das plataformas de streaming, que hoje representam o grande consumo da música, você tem que ter, no mínimo, 30 segundos para poder gerá-la”, elucidou, ao explicar que há estudos para se prender a atenção.
Enfatizando que sua fala não é uma crítica, apenas uma constatação e que faz parte do jogo, também ressaltou seu pesar a respeito da mecanização da naturalidade e da espontaneidade da expressão literária e cultural, dentro do que se coloca em uma música, com a sua letra e a melodia.
Comunicação acima de tudo
Para Dody, o mais importante é que a música conecta a humanidade. “Bom, na verdade, com as ferramentas de hoje, você tem que se comunicar. Como todo negócio visa o lucro e atender o seu público-alvo, que está cada vez mais conectado, então precisa se utilizar da comunicação.”
Conforme o empresário, as ferramentas utilizadas no show business seguem praticamente as mesmas, mudando apenas a modelagem, a forma e os textos. “A indústria musical mostra como você se conecta com o público e, no meu caso, estou usando essas ferramentas em outras atividades que venho empreendendo”, destacou.


*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial