Tríplice hélice impulsiona inovação pública no primeiro dia do GovTech Summit 2026

Painel do GovTech Summit destacou a articulação entre universidades, empresas e poder público como estratégia para transformar conhecimento em soluções

Mediado por Daniela Eckert, do Future GovHub Tecnopuc, o debate reuniu Dafne Agarrallua, Rafael Roesler e Tony Chierighini. - Crédito: Cassius Souza

A integração entre universidades, empresas e poder público foi apontada como um dos principais caminhos para acelerar a inovação no setor público. A afirmação ocorreu durante o painel ‘A tríplice hélice em ação: quando ciência, setor privado e Estado convergem’, realizado nesta terça-feira, 2, no primeiro dia do GovTech Summit 2026, no Centro de Eventos da PUCRS. Mediado por Daniela Eckert, do Future GovHub Tecnopuc, o debate reuniu Dafne Agarrallua, especialista em Projetos de Inovação do Sebrae Rio Grande do Sul; Rafael Roesler, diretor técnico-científico da Fapergs; e Tony Chierighini, diretor executivo do Celta Certi. 

Ao resgatar a trajetória do ecossistema catarinense de inovação, Chierighini destacou os 40 anos do Celta, considerada a primeira incubadora de empresas do Brasil. Segundo ele, a iniciativa nasceu da articulação entre universidades e diferentes municípios da Grande Florianópolis, criando as bases para o desenvolvimento tecnológico da região.

“O projeto nunca foi pensado apenas para Florianópolis. Precisamos envolver municípios vizinhos para construir um ecossistema regional”, comentou. Como exemplo da evolução desse movimento, citou o parque tecnológico de Palhoça, que passou de uma área predominantemente rural para um polo de inovação com mais de três mil CNPJs instalados.

Programa Centelha

Um dos temas centrais do painel foi o programa Centelha, iniciativa voltada à transformação de pesquisas e ideias inovadoras em novos negócios. Chierighini lembrou que a proposta surgiu a partir de experiências conduzidas em Santa Catarina e ganhou escala nacional por meio da parceria entre a Fundação Certi, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e as fundações estaduais de amparo à pesquisa.

“O menor número de inscrições que tivemos foi superior a mil ideias. O programa criou uma espécie de competição saudável entre universidades e ecossistemas de inovação em todo o Brasil”, destacou. Atualmente, o Centelha oferece recursos financeiros, bolsas e apoio técnico para impulsionar novos empreendimentos de base tecnológica.

Representando a Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul (Fapergs), Rafael Roesler ressaltou que o desafio não está apenas na criação das startups, mas principalmente na sua consolidação e crescimento. Ele citou como exemplo a iniciativa ‘Doutor Empreendedor’, desenvolvida em parceria com o Sebrae gaúcho, que estimula doutores a transformar suas pesquisas acadêmicas em negócios inovadores.

“O programa oferece bolsa, capacitação, recursos para contratação de equipe e apoio na gestão do negócio. Hoje, temos 107 empresas que nasceram e permanecem ativas graças a essa iniciativa”, relatou. Segundo Roesler, a taxa de sobrevivência dos empreendimentos é elevada, especialmente por serem baseados em pesquisas científicas de alto conteúdo tecnológico.

Quádrupla hélice

Apesar dos resultados positivos, ele avalia que ainda existe uma lacuna no processo de escalonamento das empresas. “Conseguimos fazer o bebê nascer e crescer nos primeiros anos, mas ainda faltam mecanismos robustos para apoiar a expansão dessas startups quando elas chegam ao chamado vale da morte”, observou.

Ao ampliar o conceito da tríplice hélice, Dafne Agarrallua trouxe para a discussão a importância da sociedade civil no processo de inovação. Para ela, o modelo evoluiu para uma lógica de “quádrupla hélice”, incorporando os cidadãos como destinatários e participantes das transformações promovidas pelo setor público.

“A grande pergunta é: fazemos inovação para quem? Precisamos olhar para o impacto na sociedade”, provocou. A especialista destacou o papel do Sebrae na democratização da inovação, apoiando desde startups até pequenos negócios tradicionais, como padarias e oficinas mecânicas. Também apresentou um case desenvolvido a partir da atualização do Marco Legal da Inovação no Rio Grande do Sul, envolvendo universidade, governo, Sebrae e empreendedores.

Ao longo do debate, os participantes convergiram na avaliação de que a inovação pública depende cada vez mais da articulação entre diferentes atores. Programas como Centelha, Doutor Empreendedor e iniciativas de cooperação entre universidades, empresas e governos foram apontados como exemplos de políticas capazes de transformar conhecimento científico em soluções concretas para a sociedade.

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Com o apoio da Prefeitura de Porto Alegre, a equipe de Coletiva.net está presente na terceira edição do GovTech Summit, realizado em 2 e 3 de junho, no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre. Durante a cobertura, participam as jornalistas Márcia Christofoli, Patrícia Lapuente, Márcia Dihl e Sarah Acosta e a social media Anie Cristine Gabriel, que produzem matérias, entrevistas e bastidores diretamente do local. O público pode acompanhar a cobertura completa no portal Coletiva.net, com repercussões nas redes sociais — incluindo Facebook e Threads — e conteúdos exclusivos no Instagram e drops na Coletiva.rádio.

 

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