SXSW: Impactos da pandemia de Covid-19 na indústria da mídia

Annette Thomas, do The Guardian; Guru Gowrappan, da Verizon Media; e Michael Friedenberg, da Reuters; debatem sobre o tema

Painel no SXSW foi realizado com profissionais do The Guardian, da Verizon Media e da Reuters

É inegável que a pandemia afetou diretamente a indústria midiática. Jornalistas agora trabalham em home office, as viagens estão limitadas e as reuniões on-line passaram a fazer parte da rotina. Com isso, os meios de comunicação se viram sob pressão para entregar conteúdo de qualidade para a população. E é sobre como isso está sendo feito que executivos de alguns dos maiores e mais confiáveis veículos debateram nesta terça-feira, 16, no SXSW 2021. Participaram do painel Annette Thomas, diretora do The Guardian Media Group; Guru Gowrappan, CEO da Verizon Media; e Michael Friedenberg, presidente da Agência Reuters. Quem conduziu a conversa foi Helen Coster, correspondente da Reuters.

Com a chegada da pandemia, Anette contou que a equipe do The Guardian aprendeu a trabalhar de qualquer lugar no formato de home office, com escritórios no Reino Unido, nos Estados Unidos e na Austrália. "Tivemos que nos adaptar e acredito no modelo híbrido de trabalho, entre casa e escritório, ainda mais com o suporte da conexão digital", defendeu. E no pós-pandemia, ela acredita que o modelo de trabalho se manterá desta maneira. "Estamos focados na colaboração e alguns processos terão que se adaptar, como a contratação de pessoas, por exemplo", destacou. Para ela, um dos principais benefícios dos novos tempos é a possibilidade de mais gente participar de decisões e reuniões de pauta, que, antes, eram mais restritas quando ocorriam presencialmente. 

De acordo com Guru, o trabalho remoto traz mais flexibilidade, mais inclusão, igualdade e agilidade, que é o principal benefício, "pois as pessoas passaram a poder participar de eventos virtuais dos quais não podiam quando eram presenciais". O CEO da Verizon Media também defendeu que as empresas devem, cada vez mais, cuidar da saúde mental dos seus funcionários, especialmente durante a pandemia. "A saúde mental anda de mãos dadas com saúde física e a Covid-19 tem criado uma crise nessas duas áreas", acredita. 

A segurança dos jornalistas é a maior prioridade da Reuters, segundo Michael, mesmo que o time da agência já esteja preparado e treinado para cobrir situações complicadas. "Ainda assim, estamos focados em dar o maior suporte a todos eles no que se refere à saúde mental, e temos orgulho do trabalho que fazemos. Para nós, não é novidade fazer coberturas difíceis como esta, a diferença é que, dessa vez, é em escala global", relatou.

Sobre o modelo de negócio das empresas de mídia, também afetado pela pandemia, Anette disse que o The Guardian trabalha com foco sempre no jornalismo. "Nossa busca pela verdade nas reportagens guia o nosso editorial e o nosso comercial. E por causa disso temos uma audiência muito fiel e vimos recordes no nosso tráfego em 2020", contou, lembrando que, nos últimos anos, a empresa tem convidado a audiência a incentivar e contribuir com o seu jornalismo, o que tem funcionado: "É uma boa oportunidade, pois nossos leitores estão conectados com o nosso propósito e com a nossa missão". 

Michael, por sua vez, acredita que a inovação é a chave para o sucesso e que, historicamente, as empresas que investem na inovação se saem muito melhor de uma crise do que as que não olharam para isso. Com isso em vista, o presidente da Reuters imagina que haverá uma divisão muito clara de vencedores e perdedores, e que, neste caso, as empresas de mídia estarão no primeiro grupo. "Provamos o nosso valor em tempos difíceis", define.

No que se refere à desinformação em tempos de fake news, Michael traçou um panorama sobre como a notícia é entregue atualmente e chegou a conclusão de que o ecossistema de produção de conteúdo precisa ser revisto o quanto antes. "Pensamos na criação de conteúdo e, depois, na sua distribuição, e, em algum momento no meio do caminho, começou-se a pensar na criação, na distribuição e, por último, na verificação dos fatos. Eu defendo que a lógica que devemos seguir seja criação, verificação e só depois a distribuição. É o que buscamos fazer na agênica", analisa.


Coletiva.net realiza pela terceira vez a cobertura do South by Southwest (SXSW), com o apoio da Alright. Realizado normalmente no Texas, estado norte-americano, em função da pandemia de Covid-19 o festival de Inovação, Cultura e Criatividade acontecerá neste ano de maneira on-line. A repórter especial do portal Gabriela Boesel é quem acompanha o evento pela segunda vez, e relata as principais tendências e insights de personalidades e empresários de grandes players mundiais.

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