Medo do futuro?

      Há duas colunas atrás, indiquei a leitura do "Dicionário do Futuro", de Faith Popcorn. É uma das leituras que estou fazendo e encontrei diversas …

      Há duas colunas atrás, indiquei a leitura do "Dicionário do Futuro", de Faith Popcorn. É uma das leituras que estou fazendo e encontrei diversas reflexões curiosas ou engraçadas.
       Anfíbio, conforme o Dicionário, é "alguém que se sente tão à vontade no mundo da tecnologia como no mundo das humanidades. Cada vez mais, os anfíbios estão sendo e serão valorizados". O nosso mundo novo tecnológico criou inicialmente uma legião de nerds (que motivaram uma série de filmes americanos, inclusive), que entendiam tudo de informática e pouco da vida prática. Eram meio abobados, até. Ainda hoje, há um certo estigma, de que quem entende de tecnologia gosta de determinadas coisas e só. Sempre lutei contra isto, pois embora adore tecnologia e seja um usuário contumaz dela, acho que nada substitui um bom passeio no parque, um churrasco em uma fazenda e o cheiro de um livro novo (romance). Abaixo os estereótipos. Li há alguns dias no Phrase Book IV, do Roberto Dualibi, que "especialista é uma pessoa que sabe mais e mais sobre menos e menos". E as pessoas parecem se esquecer de que os grandes gênios da humanidade, como Leonardo da Vinci, por exemplo, somente foram geniais porque tinham uma visão e conhecimento gerais, informação e sensibilidade.
       Gerente karaokê, também conforme o Dicionário, é um "estilo de administração por dublagem, no qual você sofre - ou sobrevive - simplesmente repetindo as frases de efeito e os chavões de seus superiores. Reunião karaokê é aquela em que os participantes buscam cegamente o consenso; o segredo para dominar uma reunião karaokê é repetir com suas palavras a última colocação feita, de modo que soe diferente, mas sem acrescentar nada. Por exemplo, o chefe diz "precisamos buscar mercados globais" e você diz "acredito que nossos esforços domésticos serão insuficientes para atingir nossa meta de receita". À medida que as empresas ficam maiores - e fica mais fácil esconder as coisas - é de se esperar uma expansão desse tipo de comportamento".
      Gerentes e reuniões karaokê foi um dos melhores verbetes que li no livro, até agora. Quem me lê sabe que gosto de criticar as práticas institucionalizadas e, mais do que isto, beatificadas. Viram verdadeiros milagres, santas nas janelas. Para obter sucesso, você deve fazer isto. E todos vão lá e fazem. Não digo que não se deva fazer isto ou aquilo para que se obtenha sucesso. O que defendo é que se questione por que está se fazendo tal coisa.
      Na verdade, em que pese a contribuição que o livro dá, como uma antevisão do que serão nossas vidas em um futuro, o ponto principal e mais importante é que ele oportuniza uma reflexão crítica sobre o futuro e o presente. O que estamos fazendo com nossas vidas? E para onde vamos, agindo desta forma? Enfim, qual o futuro? Ele deve mesmo nos dar medo?
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