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Deixa a vida me levar, me ensinou Zeca Pagodinho. Tô deixando.  Início dos anos 1950, meus últimos anos como cidadão paulistano. Toda quarta-feira, se …

sem títuloDeixa a vida me levar, me ensinou Zeca Pagodinho.

Tô deixando.

 Início dos anos 1950, meus últimos anos como cidadão paulistano. Toda quarta-feira, se eu chegasse à casa sem a revista Manchete, ia até uma banca de jornais e a comprava. Além das matérias e colunas de “cobras”, havia a última página, imperdível, do Borjalo. Naquela época, eu só conhecia um único autor, que 50 anos antes, se preocupara com ecologia, cuja palavra, inclusive, não era corrente: Anton T

O dramaturgo e contista russo marcou toda sua obra com essa profunda preocupação com o meio ambiente. Borjalo abordava o assunto com uma veia poética que marcou grande parte de sua obra, genialidade que ecoou no mundo e conquistou a admiração internacional.

1976. João Carlos Magaldi, Superintendente de Comunicação e Walter Clark, Diretor Geral da Rede Globo de Televisão, me convidaram para implantar, na matriz da rede nacional de TV a sua própria agência de propaganda. No dia 1º de janeiro de 1977 eu recebia o crachá da Globo, em cuja inauguração, em 1965, eu marcara presença.

Na Globo conheci Borjalo – Mauro Borja Lopes – e o conhecimento, em pouco tempo, tornou-se amizade. Com o devido OK do autor, usei charges em diversos trabalhos meus, entre os quais o livro História do Comércio no Brasil, comemorativo dos 50 anos de fundação da Confederação Nacional do Comércio. O uso e abuso foram tão grandes que Borjalo dizia que eu era a cafetina dele. Quando ele fez uma cirurgia nos olhos, fui visitá-lo no hospital. Disse-me que gostaria de voltar a desenhar, mas precisaria encontrar um papel especial adequado para o seu desenho. Amigo meu e padrinho de casamento, que eu levara para a Globo e cuja formação inicial era gráfica – Welles Costa – resolveu o problema e Borjalo voltou à ativa, com desenhos com mais de metro de altura. Borjalo, além de suas atividades no controle de qualidade da emissora, foi o criador do Plim Plim, que anunciava o início e o fim dos intervalos comerciais. Borjalo entrou para o idioma brasileiro criando a zebra que, no futebol, registrava resultados inusitados, ou seja, quando quem ganhava era o azarão. O significado ficou abrangente, ou seja, o qualquer resultado inesperado é zebra. Ao se despedir da vida, Mauro Borja Lopes teve a generosidade de me deixar, como testemunho de amizade, seu filho, Gustavo que, como membro do meu quadro de funcionários na Fundação Roberto Marinho, deu brilho às nossas atividades na área de TV.

Não foi apenas Borjalo que conheci, na Globo, e que se transformou em amizade. De Otto Lara Resende, de quem guardo muitos bilhetes e que depois foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, recordo hilárias narrativas de casos testemunhados como representante do Brasil no exterior. De Armando Nogueira, à frente do jornalismo global, do qual ele dizia ajudar a carregar o andor, e cuja atividade anterior, no Jornal do Brasil, rendeu das melhores colunas esportivas deste país, uma verdadeira antologia de excelência, ficou a marca de um grande susto. Dia seguinte ao lançamento do meu livro, Antonio”s, caleidoscópio de um bar, leio, surpreso, chamada na primeira página de O Globo para um texto dele, dizendo que Antonio”s era um livro para se ler de um gole só. Quando João Carlos Magaldi morreu ele me pediu um texto sobre o amigo que se fora, o que foi feito. Conheci Eugênio Fernandes, profissional de TV, amigo até hoje, que fez centenas de frilas para mim. Eugênio, por coincidência já morava no Condomínio Novo Leblon, para onde mudamos em 1979. Conheci Yves Alves, que da direção do Comercial do Rio, acabou indo dirigir a emissora de Belo Horizonte. De Brasília, Afrânio Nabuco, a meu pedido, conseguiu, em plena ditadura, em tempo mínimo, passaportes para Lúcia e Luís Fernando Verissimo, assaltados e furtados em Roma. Nessa época o publicitário José Roberto Filippelli, amigo anterior e sua mulher, minha querida prima Maria Eunice, já trabalhavam na venda de programas globais no mundo, com escritório em Roma, onde minha mulher eu os visitamos. Paulo César de Oliveira, carioca, dirigia a Rede Nordeste, no Recife, cujo Diretor Comercial era o paulista José Luís Franchini, nossos anfitriões, Aurea e eu, diversas vezes. Anos depois Paulo César era Diretor de Patrimônio, no Rio, ofereceu-se e fez nossa mudança de Copacabana para o Novo Leblon. Franchini saiu do Recife, voltou para São Paulo e chegou à direção comercial nacional da rede.  Hospedados na casa de Nelson Gomes, amigo antigo, na Granja Viana, em São Paulo, Franchini e a mulher, que lá também moravam, nos ofereceu um inesquecível leitão a pururuca, quando conheci o escritor Mario Prata, autor da Novela Estúpido Cupido.

A rede teve um “coringa”, Duarte Franco, que entre múltiplas atividades, teve que dialogar com a pornográfica Censura dos tempos da ditadura, inclusive quando era Ministro da Justiça o sempre mal lembrado Armando Falcão.  Duarte Franco, como eu, reside há décadas no Condomínio Novo Leblon, uma aldeia de cinco mil almas.

Quando fui para a Globo levei, como secretária, Dulce de Assis Ribeiro que, muito promovida, acaba de se aposentar lá mesmo, mas a amizade permanece.

Quando saí e fui para a Fundação Roberto Marinho, Welles Costa que eu também levara comigo, assumiu o meu lugar. Ele e a esposa, Olegária, são os meus padrinhos de casamento com a Aurea.

Quando voltei de minhas primeiras férias na Globo trouxe  uma carteira “mágica” feita pelos penitenciários de Fortaleza e dei-a ao meu contínuo Pelé. Ele fez um samba.

Minha relação com a Globo, antes, durante e depois de minha ida para lá é muito extensa e não cabe nesta coluna, exigindo uma complementação que pretendo cumprir.

Por hoje, um Plim final.

Inté.

Autor

Mario de Almeida

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