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A guerra das moedas

Não mais a suave “tensão cambial” de Robert Zeoellick, presidente do Banco mundial. Não mais a Sétima Frota ameaçando fronteiras. As duas potências do …

Não mais a suave “tensão cambial” de Robert Zeoellick, presidente do Banco mundial. Não mais a Sétima Frota ameaçando fronteiras. As duas potências do século 21, Estados Unidos e China, entraram na guerra das moedas. As guerras convencionais só existem em cantos remotos como o Afeganistão.

A jogada americana de lançar US$ 600 bilhões em títulos no mercado, há quatro semanas, foi o primeiro passo. A China pouco sentiu, apenas uma leve inflação. “Vamos destruir o inimigo cortando as asas de suas exportações e mantendo nossos mercados”. Seria um slogan americano, a cruzada contra o yuan não valorizado.

Timothy Geithner, secretário do Tesouro americano, veio ao Brasil para alistar o país nesta cruzada anti-yuan, pela sua valorização. Guido Mantega, ministro da Fazenda, bateu pé: a culpa, acusou, é dos americanos, com seus US$ 600 bilhões jogados no mercado e que sobrevalorizaram o real.

Geithner  insisitiu dizendo que a culpa é dos juros altos e do yuan: “Devemos todos estimular a flexibilização do câmbio chinês, importante para países emergentes como o Brasil porque vai reduzir a pressão do fluxo de capitais que entram no país”. Mas calou-se quanto à jogada americana dos 600 bilhões.

Hu Jintao fala

Em entrevista por escrito ao de “Wall Street Journal” e ao “Washingon Post”, o presidente chinês respondeu a algumas questões candentes. Por exemplo, chamou de coisa do passado, “um produto do passado”, o atual sistema monetário internacional, pelo qual o dólar é o líder desde a Conferência de Bretton Woods, realizada pouco antes do final da Segunda Guerra. Lá se vão mais de 60 anos…

As respostas de Hu Jintao refletem uma China que se tornou mais confiante nos últimos anos, especialmente depois da crise financeira mundial, da qual o país emergiu praticamente incólume. Se não há um novo Bretton Woos,  “a guerra das moedas” só tende a crescer.

A China quer internacionalizar sua moeda. As medidas adotadas por seu governo já motivaram um próspero mercado cambial em Hong Kong, de operações internacionais com yuan, que são vistas como o primeiro passo para internacionalizar a moeda, em linha com a nova importância dada ao país como segunda maior economia mundial.

Hu endossou com entusiasmo o que é descrito oficialmente como “programas piloto”: “Eles se encaixam bem na demanda do mercado, uma prova da rápida expansão na escala destas transações”, ditou aos jornais americanos.

Quinta coluna

Na sua “guerra”, os Estados Unidos têm uma poderosa quinta coluna. Há dez anos o Congresso discute sanções contra a China , o que daria poderes aos Executivo. Nada acontece. Por que? Trata-se do interesse das empresas americanas instaladas na China.

Fragilizado, Obama tenta apoios, como o périplo que Geithner veio fazer no Brasil. Censuras à China? Ora, isto está sendo inócuo. Ainda mais quando ela inicia a internacionalização de sua moeda. Neste aspecto, ponto para a China.

Autor

Iara rech

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