Há anos, minha irmã Célia, socióloga da mesma turma de Ruth e Fernando Henrique, mas também psicóloga, talvez tentando entrar no meu mundo mais interior, perguntou qual seria o slogan que eu faria para mim mesmo. Isso obrigou-me a uma introspecção e gerou a resposta que – expliquei – ainda que fosse uma criação da Fiat Brasil era a que mais se aproximava do meu desejo pessoal: “A idéia é ser útil”.
Acho que inaugurei esse propósito ainda bem jovem quando, em São Paulo, estudava em escola pública, das melhores e maiores do Brasil. O acesso era por sorteio no então curso primário e por exame de admissão ao ginásio. A excelência e gratuidade da “Caetano de Campos” faziam dessa admissão uma verdadeira caça ao tesouro com muitas centenas de caçadores.
Um colega dava aulas de Matemática e História e eu de Português e Geografia. Eram duas turmas de 40 alunos cada. Ao final, foi uma grande alegria, pois esses pobres obtiveram um índice de aprovação muito maior que o índice geral do exame.
Uma assembléia, em 1984, elegeria um candidato único para Síndico Geral e teria como conseqüência imediata uma grave cisão entre os condôminos. Nessa assembléia, ao tentar bloquear o fato, circunstâncias inesperadas e não desejadas elegeram-me Subsíndico Administrativo. Dia seguinte, iniciei o mandato de dois anos. Na época eu trabalhava muito como um dos superintendentes da Fundação Roberto Marinho, o que incluía uma intervenção no escritório de São Paulo e conseqüentes viagens.
Cuidava do nosso Clube, inventava e realizava a mais diversa programação para crianças, com atividades em todos os sábados, domingos e feriados, além dos eventos social, artístico e esportivo para adultos. Um morador e amigo, sabendo de minhas muitas obrigações profissionais e familiares, indagou o que eu pretendia com esse acúmulo de atividades. Política?
Foi fácil dizer ao meu amigo que eu sou um produto no qual a sociedade investiu muito e que me sinto obrigado a devolver a ela um mínimo desse investimento.
Inté.


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