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A paixão chamada Baguette

Por José Antônio Moraes de Oliveira

A paixão do título não se refere à moçoila da ilustração, mas aos pães que ela segura com tocante devoção.

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 O pão, considerado como o mais antigo alimento da humanidade, chegou tardiamente à Europa, levado pelos navegantes gregos que, por sua vez, o haviam copiado dos antigos egípcios.

Sua aparição inicial teria sido na Sicília, antes de chegar a Roma. No início, era preparado pelas servas domésticas e usado apenas para colher o molho no fundo dos pratos. As enciclopédias dizem que até então, os pães eram sempre redondos para facilitar a conservação. Foi mais tarde, no império de Napoleão Bonaparte, que surgem pães alongados, apelidados de Baguettes. 

O novo formato teria sido inventada pelo chef patissier de Napoleão para que os soldados em campanha pudessem carregar os pães no bolso da calça. A populariedade da baguette na França

chegou ao auge no entre-guerras, se espalhou pela Europa após a libertação de Paris em 1944 e cruzou o Atlântico levada pelos soldados que voltavam para casa.

Mas os franceses continuam como os maiores consumidores – são 6 bilhões de unidades por ano, o que quer dizer que a cada dia, eles devoram 16 milhões de baguettes.

Circulam outras versões sobre sua origem – no Leste da Europa se consume a Baguette Viennoise, que teria nascido em Viena, antes de Napoleão. Teria sido fruto de uma lei que proibia os padeiros de trabalharem antes das 4h da manhã, o que não dava tempo para o preparo dos pães redondos. Por muito tempo, o único pão acessivel à população era o chamado “pão do povo”, uma mistura heterogênea de grãos, sementes e farinhas.         

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Por outro lado, os pães de farinha branca de trigo eram privilégio das classes altas e com espaço nas crônicas populares e na História. Em Roma, o poeta satírico Juvenal já havia sugerido  que a melhor maneira de manter o povo feliz, sem questionar    os governantes eram espetáculos no Coliseu e distribuição de trigo no Forum.

A industrialização do século XIX permite a produção em grande escala de pães de inumeráveis formatos, sabores e preparos.  Mas um certo pão alongado, de miolo macio e casca dourada mantém seu lugar de destaque, até que em 2022, ganhou da UNESCO  o título de patrimônio imaterial da humanidade.

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Autor

José Antônio M. de Oliveira

O colunista é um veterano jornalista e publicitário. Assina uma coluna no Coletiva desde 2005. Foi repórter e redator nos jornais A Hora, Jornal do Comércio, Folha da Tarde e Correio do Povo. Como publicitário, atuou na MPM Propaganda nas sedes de Porto Alegre, do Rio de Janeiro, de São Paulo e também em Nova York, durante o convênio MPM / N.W.Ayer Advertising. Criou e redigiu comerciais e anúncios para Ipiranga, Renner, Banco do Brasil, Embratur, I Love New York, Pan American World Airways e American Airlines. Diretor de Comunicação do Grupo Iochpe, foi co-fundador do CENP, a entidade de normas éticas para anunciantes e agências de publicidade. Em 2021 publicou o livro de memórias ‘Entre Dois Verões’ – já esgotado – contendo 30 crônicas sobre sua infância nos campos do Sul e na Porto Alegre dos anos 50. Agora, volta à cidade em seu segundo livro, ‘Um Rio Portas Adentro’, onde registra e relembra as grandes cheias que assolaram a cidade em 1941 e 2024 e presta tributo a algumas das personagens mais singulares e sedutoras que agitaram Porto Alegre em seus anos dourados. E-mail para contato: [email protected]
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