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A retomada do consumo

Por Elis Radmann

A palavra retomada é a grande sensação do momento. Com o arrefecimento da pandemia, há expectativa com a retomada da economia, da educação presencial e dos hábitos de consumo. Ou seja, se espera pela retomada da vida normal.

A grande pergunta do mercado empreendedor é sobre o retorno do consumidor. Essa pergunta vem acompanhada da dúvida sobre seus novos hábitos de consumo, sobre quais são as suas expectativas e qual a sua atual capacidade de compra. A pergunta que inquieta os comerciantes é mais ou menos a seguinte: o que os consumidores querem fazer primeiro e quem está com dinheiro para gastar?

Os diagnósticos estratégicos de mercado realizados pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião identificaram que metade dos gaúchos tiveram diminuição em sua renda e estão sentindo duramente os efeitos da inflação.

Colocando a lupa analítica na outra metade dos consumidores gaúchos, verifica-se que há alguns milhões de consumidores ávidos para retomarem as suas rotinas de consumo. Querem voltar a visitar shoppings centers, ter novas experiências gastronômicas, usufruir de bons momentos em atividades culturais (como teatros, shows, cinemas e museus) e, principalmente, participar de datas comemorativas ou viagens de turismo e lazer com amigos e familiares. Querem viver e comemorar a vida!

Por trás desse desejo há um simbolismo, que está associado à sensação de superação, de novo ciclo, de nova etapa. Por isso, esperam por novas experiências, por novas sensações.

Para entendermos o perfil desse consumidor temos que ter em mente que o isolamento social motivou a retenção dos gastos e, agora, a vontade de aglomerar estimula a ampliação do consumo.E aglomerar é fazer o churrasco em família, é ir ao cinema, ao restaurante ou apenas embarcar em um avião com tranquilidade.

A retomada do consumo se dará por nichos. Cada nicho ou segmento social tende a responder de uma forma específica e a tendência está associada à seguinte lógica: potencial de reservas econômicas + composição familiar + posicionamento quanto às orientações da ciência + incidência de comorbidade em um membro da família.

Por sua condição socioeconômica, as classes A e B foram as primeiras a se resguardar, a obedecerem ao “fique em casa”. Nesse momento, essas classes farão o sentido inverso, serão os primeiros segmentos a impulsionar a retomada do consumo. Inicialmente, querem consumir novas experiências de turismo e lazer.

Os profissionais liberais e os funcionários públicos com maior renda se destacam pela esperança da retomada das atividades culturais e dos happy hours com os colegas de trabalho, com a devida segurança dos protocolos sanitários.

Os jovens das camadas de maior poder aquisitivo estão movimentando a retomada do mercado noturno, do barzinho à boate. Almejam voltar a curtir com a galera, sem ter a preocupação de serem denunciados por aglomeração.

Cada tipo de cidadão consumidor vai voltando a usufruir dos produtos e serviços oferecidos pelo mercado, acreditando que será recebido com atenção, com carinho e com muito capricho. Querem ser bem acolhidos e terem uma sensação de segurança.

Autor

Elis Radmann

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996 e tem a ciência como vocação e formação. Socióloga (MTB 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e tem especialização em Ciência Política pela mesma instituição. Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Elis é conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) e Conselheira de Desburocratização e Empreendedorismo no Governo do Rio Grande do Sul. Coordenou a execução da pesquisa EPICOVID-19 no Estado. Tem coluna publicada semanalmente em vários portais de notícias e jornais do RS. E-mail para contato: [email protected]
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