
Foto: ©Vienna Tourism Bureau
“O chocolate não é o verdadeiro substituto para o amor. Na verdade, o amor é substituto para o chocolate. Vamos admitir, o chocolate é muito mais confiável do que o homem”. (Marquesa de Sévigné)
A mais atrevida campanha publicitária sobre o tema “Sexo ou Chocolate”, de que me lembro, nunca saiu do papel – ou melhor, da prancheta. Era uma proposta avançada demais para aqueles anos politicamente corretíssimos na Porto Alegre de 1970. Um tradicional fabricante de chocolates colocou sua conta publicitária no mercado e pediu uma campanha para vender chocolate de forma inovadora e impactante. (Ele não sabia que não se provoca jovens criativos impunemente…). Quando viu os anúncios que uma das agências havia preparado, ficou estarrecido, sem saber o que fazer. Depois de passado o susto, encerrou a reunião, afirmando que sua empresa nunca assinaria algo parecido.
Um ano depois, em uma sessão de filmes publicitários no Festival de Cannes, um daqueles jovens publicitários saiu do Palais des Festivals com um sorriso de vingança tardia estampado no rosto. Um dos finalistas na categoria Alimentos reproduzia quase na íntegra a campanha que deixara chocado um certo chocolateiro de Porto Alegre. Era assinado por uma premiada agência inglesa para os tradicionais chocolates Cadbury.
O produto era o “dark chocolate” (aquele produzido com 70% de cacau) e a mensagem, apresentada com elegância e ousadia, apregoava que chocolate é a segunda melhor coisa que um homem pode proporcionar a uma mulher. E arrematava a provocação com a pergunta:
“- O que é melhor: sexo ou chocolate?”
Evidentemente, a ideia não é, nem nunca foi, inédita ou original. Agora mesmo, semanas atrás, a agência Saatchi & Saatchi, da Argentina, vendeu à Cadbury local o mesmo conceito com um texto bem apimentado. A campanha afirmava que, durante a Copa do Mundo, os homens só pensam naquilo – futebol. E recomendava às mulheres, um prazer alternativo: uma barra de chocolate Cadbury.
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O chocolate sempre foi considerado como uma das grandes contribuições do Novo Mundo à gastronomia mundial. Em sua forma original, quando ainda se chamava “chocolatl” no idioma asteca, era bebido e não comido.
Os conquistadores espanhóis ficaram cativos de suas qualidades, a ponto de Hernan Cortés escrever em 1519 que “uma taça deste precioso líquido combate a fadiga e permite a um homem caminhar o dia inteiro sem se alimentar”.
Estava se iniciando a mítica história do chocolate. Os fanáticos por chocolate – chamados de chocólatras – gostam de lembrar que o nome científico do cacau, em grego, quer simplesmente dizer “alimento dos deuses”.
Nem mais nem menos.
A biografia dos apreciadores de chocolate é rica e recheada de estórias, verdadeiras ou não. Quando, em 1888, Robert Browning comprou o Palazzo Ca’ Rezzonico, em Veneza, gostava de sentar-se em um dos magníficos balcões de mármore para admirar o Grande Canal, enquanto saboreava incontáveis taças de chocolate quente.
O poeta inglês apenas repetia um gesto dos antigos habitantes do palácio. No imenso salão, ornado com obras do século XVIII, ainda existe uma grande pintura de Pietro Longhi, retratando uma nobre família veneziana à mesa de refeições. Título do quadro: ”La cioccolata del mattino”, ou seja, o “chocolate matinal”.
Os venezianos sabiam viver.
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Alguns depoimentos dos chocólatras são quase saborosos como o próprio chocolate.
Forrest Gump (Tom Hanks):
“ – A vida é como uma caixa de bombons… Nunca se sabe o que vem a seguir”.
Charles Dickens:
“ – Não existe nada melhor do que um amigo. Exceto um amigo que lhe traga chocolates”.
Fernando Pessoa:
” – Não conheço metafísica na terra que explique o chocolate”.
John Q. Tullius:
” – Nove em dez pessoas amam comer chocolate. A décima pessoa é mentirosa”.
Alicia Silverstone:
“– A melhor coisa do mundo é uma caixa de chocolate belga. Com certeza, bem melhor do que sexo”.
Groucho Marx:
“– Esqueçam o amor… Prefiro me apaixonar por chocolates!”.
Lora Brody:
“– Chocolate não é como sexo antes do casamento. Não engravida e é sempre bom”.
Al Pacino, como John Milton, em “O Advogado do Diabo”:
“– Bioquimicamente falando, fazer amor é como comer uma grande quantidade de chocolate”.
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Ao ser entrevistada pelo The Food Channel, a charmosa chef inglesa Nigella Lawson confessou cândidamente seu maior pecado:
“– Entrar no Sacher Hotel, em Vienna, e comer sozinha uma grande fatia de Sachertorte”.

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