Certas crônicas que eu escrevo são remuneradas pelos leitores com uma folga para o cronista.
É o caso, hoje.
Antonio Abujamra é uma pessoa querida por muitos e, aqui, o meu aplauso ao cidadão mexeu de forma positiva com muitos leitores.
De Porto Alegre, a mestre em design de superfícies, Renata Rubim, escreveu sobre a admiração dela pelo meu personagem da semana.
A psicóloga Vera Verissimo – amiga do Abu desde Vera Gomes de solteira, foi a Julieta na montagem shakespeariana que dirigi em 1958, com Wolney de Assis como Romeu, mais Marlene Ruperti, Milton Mattos, Peréio e Paulo José – registrou as saudades daqueles tempos idos.
Eloí Flores da Silva, meu filho e professor de História da Economia, saudou a eterna coerência do cidadão Abu.
De Gramado, provavelmente muito agasalhado, “Killer” (José Antonio Moraes de Oliveira), cronista de Coletiva, comentou na própria: “Abu, Grande Abu – Mario, tua crônica despertou saudades do querido Antonio Abujamra dos meus precários tempos do Teatro de Equipe. Encontrei-o – faz mais de um ano – na Avenida Higienópolis, em São Paulo, embrulhado no mesmo casacão que conheceste em outros invernos. Abu, quando vais trazer tua inteligência para revisitar o Rio Grande?”
Do Rio, Rogério Fróes, que conheci caixa de banco e, como o Peréio, são minhas “crias” teatrais, mandou: “Mano Mario: bela crônica. Também sou fã do Abu, que conheci no festival do Dulcina quando fiz “A Almanjarra”, dirigida por você e, mais tarde, no Festival do Recife, quando eu e ele disputamos a mesma namorada. Ninguém ganhou. Abu é uma figura incrível. Aproveito para te pedir que me ajude a pensar em um nome feminino para o “Tributo a Quintana””. (O “nome feminino” a que ele se refere é de uma atriz para contracenar com ele no espetáculo que escrevi e vou dirigir).
Manuel Augusto Graça (Guto Graça), jovem e bem sucedido publicitário, para cujo primeiro livro de poesias escrevi a “orelha”, é genro do meu amigo-irmão, Manoel Carlos, o notório novelista e poeta de um único e belíssimo livro. Guto mandou: “Mario, adorei. E no teatro tive uma passagem efêmera e divertida como ator. E até elogiada, mas, por total ausência de vocação, acabei desistindo. Recentemente me encomendaram um musical, roteirizei. Tema duro para fazer algo mais leve, à época da censura. Mas não foi adiante. O personagem em questão de sua crônica, eu adoro a intensidade que ele carrega em tudo, até para dizer que vai chover amanhã. E, completando com o teatro, outro dia, Sofia, filha minha e de Carolina, ao ser questionada o que ela queria ser quando crescer, respondeu: – Quero ser mãe, médica e atriz. Pequena pausa, e, com o dedo em riste, completa: – De teatro”.
Gustavo Borja Lopes, querido amigo e filho do amigo que se foi – Borjalo – já esteve presente em Coletiva, contando suas peripécias em torno de um prato de bacalhau. Volta hoje, em torno de outro prato de bacalhau, ouvindo uma peripécia sofrida por Abu. Manda, Gustavo: “Mario, tive o (enorme) prazer de conhecer o Abu pessoalmente, num almoço com Clemente Neto, há oito anos. Degustávamos um bacalhau no Nova Capela, enquanto discutíamos um possível talk-show para a TVE. Mudou a presidência da TVE, Clemente saiu de lá, e o talk do Abu foi parar, anos mais tarde, na Cultura… Naquele almoço, Abu nos contou uma deliciosa (e glamourosa) historinha, acontecida no Principado de Mônaco: ao participar de um seminário de produções audiovisuais em Monte Carlo, Abu conheceu um dos principais financiadores de filmes de Hollywood. Nem é preciso dizer, sujeito podre de rico. Naquela ocasião, o cara colhia os frutos do Titanic (e bota fruto nisso!). Conversa vai, conversa vem, pintou convite para um almoço. Depois de um traslado no Rolls-Royce do americano, Abu encarou a mais alta gastronomia francesa. Mas não é que uma ponte resolveu cair da boca de Abu, antes da sobremesa? Baita saia (ou boca) justa. O americano sugeriu a visita a um dentista superstar de Monte Carlo, que atende os VIPs do Principado. Sacando o (evidente) motivo da relutância de Abu, o dito logo se ofereceu para pagar a consulta. O superstar colocou uma ponte provisória e recomendou que, tão logo Abu voltasse ao Brasil, a trocasse por uma definitiva. Já em São Paulo, na cadeira, de boca aberta, Abu ouviu as seguintes palavras de seu dentista: – Provisória? Isso aqui é a Golden Gate, meu filho! Abração, Gustavo” Por coincidência, o outro comensal era Clemente Neto, executivo que sabe tudo de e sobre TV. Clemente, gaúcho, começou sua vida profissional como “foca” meu na UH do Rio Grande.
Para terminar, dou a palavra ao amigo gaúcho-carioca-cidadão do mundo, o jornalista e escritor Fausto Wolff, para que festeje, curto e gostoso, esse meu carente ego: “Belo texto, Mario”.
Inté.

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial