Aconteceu em Nazca

Por Marino Boeira

O Peru é um dos países mais fascinantes da América. Além da sua bela capital, Lima, tem três ou quatro outros lugares imperdíveis.
Um deles é obviamente Machu Picchu, a poucos quilômetros da cidade histórica de Cuzco, mas também tem Puno, na beira do lago Titicaca, com suas ilhas flutuantes, feitas de "totora", uma espécie de junco, pelos antigos habitantes do local, os Uros, para escapar dos Incas conquistadores.  
Descendo dos quase três mil metros de altura de Cuzco, se chega a Nazca, quase no litoral do Pacífico e a mais de 400 quilômetros de Lima.
É uma pequena cidade, cuja grande atração é os chamados geoglifos, formas perfeitas de plantas e animais espalhadas por mais de 450 quilômetros de deserto e que só podem ser perfeitamente observados a bordo de pequenos aviões, que disputam os turistas para um passeio de meia hora sobre as montanhas de areia.
Existem as mais diversas teorias para justificar os desenhos, descobertos pelo arqueólogo Paul Kusok em 1927.  
A mais aceita é da matemática alemã Maria Reche, que se diz se tratar de um calendário astronômico feito por volta do ano 500 DC. Alguns dizem que são sinalizações de sistemas de água e outros, que seriam rituais religiosos dos antigos habitantes da região,.
É claro que não falta a interpretação mais fantasiosa e por isso mesmo a mais interessante, de que seriam obras de alienígenas que visitaram o local.
Qualquer que seja sua origem, era obrigatório para mim subir num daqueles teco-teco, para observar e fotografar os desenhos.
Para facilitar a visualização, o piloto inclina as asas do avião, o que, se cumpre essa finalidade, provoca calafrios a cada curva e a cada sacudidela que o movimento provoca.
Para um ateu que não tem um santo em que sem agarrar, a experiência é um pouco assustadora, mas resisti em silêncio e no final acabei recebendo cumprimentos do piloto, possivelmente pela minha coragem em voar naquelas pequenas cascas de noz.
E mais do que isso, me deu um diploma comprovando meu feito.

Autor
Formado em História pela Ufrgs, foi jornalista nos veículos Última Hora, Revista Manchete, Jornal do Comércio e TV Piratini. Como publicitário, atuou nas agências Standard, Marca, Módulo, MPM e Símbolo. Acumula ainda experiência como professor universitário na área de Comunicação, nas universidades PUC e Unisinos. É autor dos livros "Raul", "Crime na Madrugada", "De Quatro", "Tudo que Você NÃO Deve Fazer para Ganhar Dinheiro na Propaganda" e "Tudo Começou em 1964", que tem formato de ebook.

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