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Ainda, mas concluindo

O que preciso, invento.O que não, deixo para os outros.M.A. Bernard Shaw, o diversificado e prolífero, na publicação de suas peças teatrais, gostava de …

O que preciso, invento.
O que não, deixo para os outros.
M.A.

Bernard Shaw, o diversificado e prolífero, na publicação de suas peças teatrais, gostava de apresentá-las em brilhantes prefácios. Não satisfeito, ao final, após a tradicional rubrica de “Pano”, também escrevia brilhantes posfácios.

Sem pretensão de brilhantismo, após digitar A Estranha em cinco capítulos, deu-me vontade de contar como o caráter instantâneo da Internet propicia a interação entre autor e leitor.

Mês passado, sentei-me para escrever a crônica semanal para Coletiva e, na ausência de um assunto que me soubesse bem, resolvi inventá-lo. Daí nasceu A Estranha que, pensava eu, apenas preencheria o compromisso semanal: A Estranha Primeira e Única.

Maktub! Estava escrito que essa idéia seria desmentida por provocações e novas invenções.

Explico: surgiram os comentários na própria Coletiva, do Fraga, hoje um teleamigo, da Márcia Martins, que vive cumulando meu ego com gostosos afagos, e do José Antonio Moraes de Oliveira, amigo desde 1957, quando fui pela primeira vez ao Rio Grande, muito antes do “estava escrito” jogar ambos nos braços da propaganda. Ei-los:

“A vida é uma grande roteirista
Mario, meu caro: se é ficção, é muito boa; se não é, melhor ainda!”

José Guaraci Fraga

A estranha –  Nas minhas madrugadas insones, iniciei a leitura da coluna acima, mas o intuito era rapidamente passar para outro site. Não consegui. Sei que vc não gosta, mas é realmente IMPERDÍVEL… Meu lado feminino encantou-se com a frase: “Eu ia balbuciar qualquer coisa, mas o olhar glacial, um rápido olhar em minha direção, cortante como deve ser a lâmina de uma guilhotina, fechou-me a boca”. Já era sua fã…”

Márcia Fernanda Peçanha Martins

“Olha aí o velho e bom Mario em sua melhor forma. Que tal A Estranha II? Ela merece um retorno. E nós também! Abração.”

José Antonio Moraes de Oliveira

Esses gratificantes comentários, somados à proposta de A Estranha II, do José Antonio e alguns e-mails pessoais, soaram-me como um desafio. Daí comuniquei ao Vieira da Cunha, nosso editor aqui, que não sou de fugir aos desafios. E escrevi a II, a qual gerou-me a curiosidade de saber onde isso iria acabar.  Daí a compulsão de ir um pouco além. Fui.

Minha centenária e absoluta timidez (?!) foi enterrada por esses comentários e e-mails de amigos como a Denise Demange, a Renata Rubim, o Guto Graça, o José Carlos Pellegrino, o Sebastião Roque e leitores que não conheço.

A esses, agradeço.

A quem aborreci, condolências.

Imitando Shaw: algumas vezes o irlandês/londrino, achando que devia acrescentar algumas informações quanto ao destino de suas personagens, saciava a eventual curiosidade do leitor.

Vou seguir o exemplo.

Paula Diniz, o verdadeiro nome da bela traficante, gaúcha de Santa Rosa, mesma terra de Xuxa – verdadeira globe trotter, conheceu em Nova Iorque o colombiano Pablo Gutierrez, natural de Arataca e, pois, conterrâneo de Gabriel Garcia Márquez. Paixão fulminante, amasiaram-se  e viveram juntos por quase dois anos, até o assassinato de Pablo, a mando do  Escobar, da cúpula do cartel de Medellín.  Nesse tempo, Paula aprendeu tudo sobre o tráfico internacional de drogas e, após o assassinato do companheiro, contatou gente do ramo e organizou uma conexão brasileira através de um pessoal da Bolívia e do Paraguai.

A presença da falsa Regina naquele bar foi para fazer o primeiro contato com Milton, na verdade, Delmiro Cunha, um piauiense que fugiu da eterna sauna de Teresina e fixou-se em Fortaleza. Ela sentou-se à minha mesa, a única, com um único ocupante, além da do próprio,  para observar o ambiente e ter certeza que não estava entrando numa fria. Tudo “limpo”, fez o contato.

Quanto ao encontro com o idoso, no outro bar, ele é o pai dela, um gaúcho, pequeno agricultor, dos que não dispensam o ritual do mate e, de passagem pelo Rio, procurou a filha, crente que ela é uma bem-sucedida corretora do mercado de capitais.

Essas informações, Nestor conseguiu com um repórter do jornal que se incumbiu de uma entrevista com Paula, sob a inusitada condição de não publicar nada!

Quanto ao carro roubado, Nestor esqueceu-se de pedir a informação e descobriu que já não era tão competente para “pautar” uma entrevista. Ainda envergonhado com a confissão da mentira para o Márcio, Nestor conformou-se em dar um tempo até descobrir o estranho motivo e, como bom repórter, colocar o ponto final naquele assunto.

Quanto à morena que conseguiu fazer Nestor romper com sua centenária timidez, o próprio pediu-me absoluta discrição, mas André, o garçom, disse-me que eles se encontram de segunda a sexta, com sol ou com chuva, lá mesmo, acrescentando, com malícia, que parecem estar em lua-de-mel… Maktub, creio.

Inté.

Autor

Mario de Almeida

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