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Minha avó, mãe de minha mãe, de solteira, era Maximina Barros e, casando-se, com meu avô passou a ser de Barros Coelho. Minha mãe, …

Minha avó, mãe de minha mãe, de solteira, era Maximina Barros e, casando-se, com meu avô passou a ser de Barros Coelho. Minha mãe, quando solteira era Ruth de Barros Coelho e, ao casar-se com meu pai, passou a ser Coelho Pinto de Almeida, como eu e meus irmãos.

Com isso conto como o “Barros” faz parte de minha árvore genealógica e, como entrou por parte das mulheres, acabou escondido.

Quero aqui saudar o poeta Manoel de Barros, não por ser mais um Barros que conheci, mas por ser o grande poeta que foi e a quem conheci pessoalmente aqui no Rio, numa Bienal do Livro onde, além de ganhar uma dedicatória em um de seus livros de poesias, houve tempo para um ligeiro bate-papo

“Manoel de Barros nasceu em Cuiabá, Mato Grosso, em dezembro de 1916 e depois morou em Corumbá (MS) e aqui no Rio formou-se em Direito. Estudou na mais tarde foi para o Rio de Janeiro, estudar na faculdade de Direito. Viajou para Bolívia e Peru, morou em Nova York, captou em cada um dos lugares por onde passava um pouco da essência da liberdade, que aplicaria em suas poesias. Apesar de ter publicado o primeiro livro em 1937, o “Poemas Concebidos Sem Pecado”, o primeiro livro que escreveu acabou nas mãos de um policial. O jovem Manoel fez a pichação “Viva o comunismo”, em um monumento, e a polícia foi em busca do autor da ousadia. Para defendê-lo, a dona da pensão em que vivia disse ao policial que o “criminoso” em questão era autor de um livro. O policial pediu para ver e levou o livro. Chamava-se “Nossa Senhora de Minha Escuridão” e Manoel nunca o teve de volta.”(Google) Em 1942 publicou Face Imóvel e em 1946, Poesias.

Na década de 1960 foi para Campo Grande, no Mato Grosso do Sul onde viveu como fazendeiro

Formou-se em Direito, em 1941, na cidade do Rio de Janeiro. E já no ano seguinte publicou “Face Imóvel” e em 1946, “Poesias”. Na década de 1960 foi para Campo Grande (MS) e lá passou a viver como fazendeiro.

Manoel consagrou-se como poeta nas décadas de 1980 e 1990, quando Millôr Fernandes publicava suas poesias nos maiores jornais do país.

Manoel de Barros é autor de outros livros: Compêndio Para Uso dos Pássaros (1961), Gramática Expositiva do Chão (1969), Matéria de Poesia (1974), O Guardador de Águas” (1989), “Retrato do Artista Quando Coisa (1998), e “O Fazedor de Amanhecer” (2001).

Alguns dos prêmios que o autor recebeu: “Prêmio Orlando Dantas” (1960), “Prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal” (1969). “Prêmio Nestlé” (1997) e o “Prêmio Cecília Meireles” (literatura/poesia, 1998).

Manoel de Barros morreu em Campo Grande, Mato Grosso, no dia 13 de novembro de 2014. Mais um pouquinho e a gente comemoraria seu centenário ao vivo.

O fazedor de amanhecer

Sou leso em tratagens com máquina.

Tenho desapetite para inventar coisas prestáveis.

Em toda a minha vida só engenhei

3 máquinas

Como sejam:

Uma pequena manivela para pegar no sono.

Um fazedor de amanhecer

para usamentos de poetas

E um platinado de mandioca para o

fordeco de meu irmão.

Cheguei de ganhar um prêmio das indústrias

automobilísticas pelo Platinado de Mandioca.

Fui aclamado de idiota pela maioria

das autoridades na entrega do prêmio.

Pelo que fiquei um tanto soberbo.

E a glória entronizou-se para sempre

em minha existência.

Inté.

Autor

Mario de Almeida

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