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BBB10: por que o primitivo venceu na Gaiola da loucas

“… com o fortalecimento do que é, ou não é politicamente correto,implicitou-se convencionar que o gay está acima do bem e do mal.”  Pela …

“… com o fortalecimento do que é, ou não é politicamente correto,

implicitou-se convencionar que o gay está acima do bem e do mal.”

 

Pela própria natureza do certame produzido na base do Trash for Cash (lixo por dinheiro), nada ali faz lembrar qualquer resquício do que se convencionou chamar de cultura de um povo. Mas a última edição do BBB revelou algo bastante surpreendente. Se for considerado que o programa obteve 150 milhões de “interatividades”, entre telefonemas, mails e torpedinhos, isso dá a adesão de quase toda a população brasileira, embora se saiba da existência de fanáticos que mandam dezenas de mensagens. Ainda assim, os números dizem que cada um dos segmentos da sociedade brasileira se entregou ao voyeurismo, opinou, votou e decidiu. 

Assisti a uns poucos capítulos para ter uma noção do que se passa no inconsciente coletivo do país. O suficiente para ver que não mudou muita coisa entre os confinados. Lá estavam as mesmas pieguices, os narcisos exaltados, o mesmo mau-caratismo nacional, do tipo “faço qualquer coisa por grana”, lá estavam os velhos clichês, cujo eixo gira obsessivamente em torno de sexo e dinheiro. Contudo, desta vez, o manipulador dos cordéis adicionou representantes de minorias, como gays, lésbicas e simpatizantes. Show de bola. O problema que pressenti é que, agora, com o fortalecimento do que é, ou não é politicamente correto, implicitou-se convencionar que gay está acima do bem e do mal. Pode aprontar o que quiser, pode ser sacana, pode ser oportunista, pode, na ânsia de ocupar todos os espaços, traçar mulheres na frente das câmeras, vale tudo. Acho que alguns destes gays ou têm um homem por dentro, ou viraram lésbicas. 

Ao que parece, é o povo quem começa a regular os exageros.

Ele fez um risco no chão e disse: olhem, daqui vocês não passam. Ou seja, para as minorias também têm limites.  

Outro problema desta edição foi a falta de lideranças carismáticas, e, aos poucos, Dourado, o primitivo, foi resgatando a figura do machão homofóbico, boçal e chantagista, e venceu. Significa que, nas distorções das minorias, o povo optou pela regressão, pelo velho herói que usa os punhos no lugar do cérebro. Quer dizer, na Gaiola das loucas, homens e mulheres, sem outro viés de sexualidade, e sem a caricatura do macho primitivo, não tiveram vez. Mas, quando 150 milhões brasileiros acompanham com alegria e avidez este lixo todo, tem algo de sintomático e perturbador no ar. Eis que surge a imensa chaga que sangra no coração do Brasil, surge o deserto continental das ideias e da imaginação. O gigante, apático e infantil, sem sonhos e sem perspectivas, se contenta em espiar a vida pelo buraco da fechadura. Não sei mais o que é normal. Eugene Ionesco, o pai do Teatro do Absurdo, está de volta, desta vez com o sugestivo apelido de Plim Plim.

Autor

Paulo Tiaraju

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