Dos dicionários:
Bumerangue – antiga arma de caça que volta ao arremessador
Ignorante – Que ou quem não tem instrução
Pesquisas sobre intenção de voto para presidente da República têm um dado sistemático: quanto menor a escolaridade do eleitor, maior a intenção pró-Lula.
O presidente afirmou que o seu governo fez pelo país mais que seus antecessores em 500 anos, o que me fez supor que ele acha que José Bonifácio é nome de rua e Pedro II nome de colégio ou estação ferroviária.
O que não suponho, mas afirmo, é que entre ditadores, homicidas, corruptos, insanos, empreendedores e alcoólatras, nunca o Brasil – desde a colonização de São Vicente, há 476 anos – ostentou um dirigente tão ignorante.
O censo de 2000 registrou mais de 12% de analfabetos no Brasil, os quais, somados a uma massa de semi-alfabetizados, formam um continente de ignorância.
Lula é o primeiro grande ignorante a dirigir o país e não pode ser responsabilizado por essa calamidade.
As diversas oposições a Lula acusam-no de despreparado, mas não se referem ao fato de que ele e dezenas de milhões de brasileiros são herdeiros de uma incompetência histórica no que se refere ao investimento prioritário de uma nação: educação.
Minorias alienígenas nesse continente de ignorância cavaram suas próprias covas e estão submetidas agora ao salutar jogo da democracia. A incompetência transformou-se num contundente bumerangue.
Antonio Callado, em 1957, escreveu um texto profético, “Pedro Mico”, peça encenada por muitas companhias brasileiras. Face à perversidade da distribuição de renda (?!) brasileira, com uma elite de tradição escravocrata – alimentar a mão-de-obra –, Callado deu o recado: ou se trata gente como gente, ou o morro desce. Desceu.
Das muitas tentativas de explicar a violência criminosa deste estado de sítio não declarado, a miséria é apontada como causa primeira. Mais do que a miséria, a causa maior é a riqueza ostensiva, a debochada distância que separa os dois pólos, o desumano contraste entre fartura e escassez absoluta (há regiões onde obesidade é vista como status).
A sociedade brasileira, leprosa terminal, sofre de insensibilidade epidérmica e, em vez de lutar contra as causas, apenas luta contra as conseqüências.
As distâncias entre classes sociais são tão imensas que o julgamento de uma jovem que aliciou os assassinos de seus pais ocupou, com destaque, todos os veículos de comunicação. Onde a notícia, se a média da mortandade criminosa deste país é de 200 óbitos/dia?
Quando o crime acontece numa “ilha” cuja população é em torno de 5 milhões de milionários, vira manchete. Vez ou outra, ouve-se falar de um julgamento de “gentinha de somenos importância”.
O bumerangue da violência é mortal e mais trágico que ser governado por um ignorante.
Inté.

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial