0ntem, depois de décadas, chupei jabuticaba. Um gosto de infância encheu-me a boca. (M.A.)
Fevereiro de1971. Ditadura brutal, pleno AI-5. O táxi no qual eu estava me deixa, na Avenida Bartolomeu Mitre, no Leblon, defronte ao Antonio’s, bar e restaurante da inteligência carioca. Quase bato a porta do carro no jornalista Sérgio Cabral (pai), sócio – com Jaguar e Tarso de Castro – do tabloide Pasquim, então um fenômeno editorial.
– Ué, você não estava preso? – pergunto.
– Acabo de sair, mas vim tomar a “saideira” antes de ir para casa.
Em novembro de 1970, exceto Millôr Fernandes, toda a redação do Pasquim fora presa pela ditadura e passara Natal e Ano Novo em cana, reconfortada pelos perus assados enviados pelo Manolo, dono do Antonio’s.
Sérgio que era e somos amigos de há muito, apesar da gente nem ter se visto neste século, teve uma brilhante carreira de jornalista e de vereador do Rio por três vezes e escreveu diversos shows de sucesso, entre os quais, em parceria com Rosa Maria Araújo, Sassaricando, que estourou bilheterias.
Notório especialista em Música Popular Brasileira, é autor de vasta obra sobre o assunto:
– As Escolas de Samba – o que, quem, onde, como, quando e porque (1974)
– Pixinguinha, Vida e Obra (1977)
– ABC do Sérgio Cabral (1979)
– Tom Jobim (1987)
– No Tempo de Almirante (1991)
– No Tempo de Ari Barroso (1993)
– Elisete Cardoso, Vida e Obra (1994)
– As Escolas de Samba do Rio de Janeiro (1996)
– A Música Popular Brasileira na Era do Rádio (1996)
– Pixinguinha Vida e Obra (1997)
– Antonio Carlos Jobim – Uma biografia (1997)
– Livro do Centenário do Clube de Regatas Vasco da Gama (1998)
– Mangueira – Nação Verde e Rosa (1998)
– Nara Leão – Uma biografia (1991)
– Grande Otelo – Uma biografia (2007)
– Ataulfo Alves (2009)
É pai do atual governador do Rio, Sérgio Cabral Filho, que de repente, não mais que de repente, tornou-se o “Judas” dos manifestantes cariocas, que acamparam defronte à sua casa e andaram depredando o Palácio Guanabara.
Motivadas por atitudes e declarações inconvenientes do governador, tornou-se ira e símbolo de manifestações contra as “mordomias” perpretadas por autoridades denunciadas por atitudes arbitrárias de quem detém o poder.
Como não podia deixar de ser, Sérgio Cabral Filho caiu nas redes sociais:

Inté.
Vitrine (Comentários sobre a crônica anterior)
Meu querido Mário, sou fã de carteirinha das tuas crônicas na Coletiva.net. Adoro o que escreves e te felicito pela memória admirável que tens. Beijos afetuosos, Zoravia Bettiol, Porto Alegre
Jovem Mario, obrigado pelo oxigênio. Moises Andrade, Olinda/Recife

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