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Cada vez mais sujo, cada vez mais brutal

A maioria do povo brasileiro é formada por multidões que, no passado, tiveram baixa nutrição e, por causa disso, o desenvolvimento mental dessas pessoas …

A maioria do povo brasileiro é formada por multidões que, no passado, tiveram baixa nutrição e, por causa disso, o desenvolvimento mental dessas pessoas foi severamente prejudicado. Abaixo destes, os outros, os que se alimentavam de sobras, de fé e de luz, não tiveram nenhum desenvolvimento mental. Os levantamentos dão conta de que eles se encontram abaixo da linha da pobreza, um lugar sombrio e perigoso, onde as autoridades só entram por meio da polícia.

Pois aquela multidão vagou cega pelo continente, no dizer de Chico, e, com o tempo, foi dando um jeitinho na vida.  Assim como Deus amortece tombo de bêbado e de criança, os filhos deste solo, os desamparados, de algum modo têm seus flagelos amortecidos pela mãe gentil.

Há uma imensa rede comunitária de mútuo socorro, que se entrelaça de mão em mão. De biscate em biscate, um ajuda o outro, que ajuda uns, e eles se viram, e, com o tempo, muitos se arranjaram: são porteiros,vigias, pais de santo, soldadores, faxineiras e balconistas, além do grande contingente que foi para o chão das fábricas, com emprego formal, com carteira assinada.

Há uma TV em cada barraco, em cada casinha construída com sacrifício, em cada apezinho dos pombais que proliferam pelos subúrbios. Seus habitantes são, organicamente falando, os maiores interessados nos resultados destas eleições. Querem saber se vão continuar tendo emprego e renda, ou se o país vai mudar.

Serra acusa Dilma de ser a favor do aborto. Sim, pois o aborto é um ponto estratégico para manter a produção em alta, com reflexos na estabilidade do emprego. Em seguida, Serra garante que vai respeitar as conquistas dos gays, outro foco de extrema relevância na manutenção do crescimento sustentado do país. 

O acirramento da campanha fez emergir uma das extremas que não se mostrava desde os sinistros anos de chumbo. Nas últimas décadas, a ferocidade da extrema direita tornara-se rarefeita. Agora, excitada com a hipótese de quebrar a continuidade do governo Lula, a extrema direita despertou nas fileiras da militância de Serra, feroz e truculenta como sempre foi. Serra faz vistas grossas. Sua mulher foi a primeira a alardear o ideário da TFP, ao chamar Dilma de assassina de criancinhas. Por pouco, não disse que Dilma come criancinha. Francamente, esta estupidez é um rocambole de boçalidade recheado com esperteza chula, é o vale-tudo pelo poder, sem ideais e sem sonhos.

Dilma agora se prepara para o jogo grosso da hidrofobia. Nesta reta final, ela sabe que, se a campanha do seu adversário até aqui foi agressiva e violenta, daqui em diante o jogo será cada vez mais sujo, cada vez mais brutal, com direito a enxurrada de mentiras pela internet, folhetos apócrifos e todo o tipo da sacanagem explícita. Por isso, Lula se guarda para o final.

Lula sabe falar com pobres e ricos, embora uma considerável parcela da classe média odeie o presidente. Lula levou alívio para a fome de milhares de famílias, criou milhões de empregos e milhões de consumidores. Exceto o agronegócio e um ou outro marqueteirozinho facistoide (e apaixonado por Diogo Mainardi), o povo brasileiro e os empresários adoram o presidente Lula.

82% dos brasileiros acham seu governo bom e ótimo. Contudo, a extrema direita não está interessada num governo bom e ótimo. Suas motivações são de natureza patológica, para não dizer perversa. Em sua escala de valores, a fogueira das vaidades deve arder mais alta e mais forte do que a prosperidade do país que, finalmente, começa a fazer justiça social.

Autor

Paulo Tiaraju

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