
” Uma cidade de chafarizes e clarabóias,
Uma encruzilhada de ladeiras e becos”.
Augusto Meyer:
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Uma vez que outra, me bate saudades da Porto Alegre que não mais existe, mas sobrevive nas minhas mais caras lembranças. Um caleidoscópio de fragmentos e vestígios – uma ladeira de paralelepípedos, as calçadas de ardósia rosa, o tilintar das garrafinhas de leite depositadas pelo leiteiro Arnaldo nos portões de ferro.
Então, de volta aos passeios de domingo, lembro do pai mostrando os casarões construídos pelos descendentes dos imigrantes alemães e italianos. Aqui e ali, alguém abanava das sacadas ou espiava pelas janelas de cortinas de rendas. Deviam guardar estórias que nunca seriam escritas.
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Eu ouvi algumas das estórias de um amigo do tio Armando. Ele escrevia para o Correio do Povo relatos do tempo em que se amarrava burros de carga nos frades de pedra nas ruas do centro. Era a muy leal e valerosa, um porto seguro para os portugueses dos Açores. Que aos poucos foi se espalhando pelas margens do rio que imita um grande lago. Ruas cruzaram pastos de gado, riachos e subiram morros acima. Ganharam nomes que falam de aldeias distantes no Alentejo, Trás-os-Montes ou na Beira:
Rua do Arco da Velha
Rua dos Nabos a Doze
Rua da Guarapa
Rua dos Sete Pecados Mortais
Beco da Casa da Ópera
Rua do Arvoredo
Travessa das Perdizes
Praça da Harmonia
Rua da Graça
Rua do Jogo da Bola.
Nomes evocativos que sugerem pessoas tranquilas e serenas passeando entre chafarizes, clarabóias, ladeiras e becos do que então chamavam Freguesia de Nossa Senhora da Madre de Deus de Porto Alegre.
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