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Começo de uma história

Semana passada escrevi aqui que a coluna de hoje seria sobre a minha relação antes, durante e depois de haver trabalhado na Rede Globo, …

Semana passada escrevi aqui que a coluna de hoje seria sobre a minha relação antes, durante e depois de haver trabalhado na Rede Globo, nos anos setenta do século passado.

Ao lembrar sobre a tarde de 26 de abril de 1965, quando a TV Globo, canal 4 do Rio de Janeiro, foi fundada e, naquela manhã, colocara no ar seu primeiro programa, eu estava lá, na Rua Von Martius, no Jardim Botânico, sem imaginar que estava assistindo ao nascimento daquela que é, hoje, a segunda maior Rede de TV do mundo.

Acusada a nova empresa de ter como sócia o grupo norte-americano Time/Life – o que é proibido pela Constituição – os veículos de Comunicação só podem  ser propriedade de brasileiros –, a Globo se defendeu alegando manter com aquele grupo apenas um contrato  de assistência técnica.

A acusação deu início a uma batalha judicial que exige  informações paralelas.

Desde então, João Calmon, que foi deputado federal, senador e presidente da ABERT – Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão – viria a ser o presidente do Condomínio Acionário dos Diários e Emissoras Associadas, criado pelo empresário Assis Chateaubriand. Esse Condomínio nasceu quando Chateaubriand, doente, preocupou-se em passar para seus principais executivos a responsabilidade de perpetuar seu império. João Calmon  alimentou uma guerra contra a relação de Roberto Marinho com o grupo estrangeiro.

Pausa para mim mesmo. Quando comecei esta coluna não imaginei que a memória me levaria para caminhos tão remotos, mas ao mesmo tempo não posso me furtar a esclarecer os motivos que levaram João Calmon a uma guerra vencida pela Globo via judicial e que se refere ao império de Comunicação fundado e ampliado por Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, mais conhecido como Assis Chateaubriand ou Chatô (1892 -1968). Magnata da Comunicação,  foi um dos homens públicos mais influentes do Brasil nas décadas de 1940 a 1960 e responsável pela primeira TV brasileira,  a TV Tupi, de São Paulo, inaugurada em setembro de 1950. Os  Diários Associados foram o maior conglomerado de mídia da América Latina, que em seu auge contou com mais de cem jornais, emissoras de rádio e TV, revistas e agência telegráfica.

Voltando à Globo, em outubro de 1967 a Justiça encerrou a pendenga, e a emissora, legalizada, continuou  sua trajetória de programação, mas Roberto Marinho resolveu ir mais longe e, em outubro de 1971, através de empréstimos, tomados em bancos nacionais, e empenhando todos os seus bens pessoais (exceto o jornal O Globo), pôs fim ao acordo com o Time/Life em julho de 1971.

No entanto, os índices de audiência estavam pífios, e Roberto Marinho contratou, para Diretor Geral, Walter Clark, um profissional de visão que mudou a história da emissora e alavancou recursos para o que é, hoje, as Organizações do Grupo Globo.

Nessa história toda, eu, como freelancer e, depois, como gerente de Comunicação da Rede (Agência da Casa), que implantei, escrevia os discursos do Walter. Quando fui para a Fundação Roberto Marinho, escrevia discursos do próprio.

Ufa!

Inté

Autor

Mario de Almeida

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