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Como o eleitor está se informando sobre política

Por Elis Radmann

Vivemos em um cenário político muito difícil para a maioria do eleitorado. De um lado, indagação, descrença, ceticismo com todo o contexto político e, principalmente, com a guerra ideológica em curso. As palavras decepção, tristeza e frustração são constantemente citadas pelos entrevistados nas pesquisas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião.

De outro lado cresce a intolerância, o discurso de ódio e a estratégia de marketing de guerra que busca um culpado, que aponta um inimigo. Dois lados brigando entre si, espalhando Fake News e desinformação.

A situação econômica do país e o aumento da inflação preocupam muito a sociedade, que ainda está “cambaleando” com o isolamento e os efeitos das medidas restritivas durante a pandemia.

Em um momento de tanta instabilidade, a maioria dos eleitores sinaliza a dificuldade em definir o canal e a fonte de informação confiável para depurar tudo o que vem acontecendo e tentar formar uma opinião, ter uma avaliação sobre o contexto político e econômico.

A saída encontrada por 40,0% dos eleitores tem sido o multicanal, com efeito multitela. A principal prática é buscar informação em veículos tradicionais como televisão, jornal e confrontar essas informações com mídias digitais. O eleitor assiste a uma notícia na TV e vê o que as pessoas estão falando nas redes ou consulta a postagem de um influenciador digital, jornalista ou político. O efeito contrário também acontece, o eleitor percebe que as redes estão fazendo comentários sobre um tema e dá uma parada para assistir aos telejornais ou escutar um programa de debate na rádio local.

Os eleitores estão retomando um hábito antigo, o de trocar informações e ideias entre si. Uma prática comum na época em que se tinha um limitado acesso à informação e que volta à tona em um momento em que se tem canais em excesso e pouca confiança nas fontes. Em média, 20,0% dos entrevistados declaram que se informam sobre política com a rede de relação, com familiares ou amigos. O que acompanha menos a política pede a opinião de quem se informa mais. Há troca de impressões e o formador de opinião da família ou o amigo acaba sendo o “oráculo” desse processo. 

O mundo digital garante a informação para 15,0% dos eleitores, que só se informam em plataformas digitais de notícias, acompanham páginas de políticos ou comentaristas políticos. Nesse grupo se destaca a relevância e a importância do Twitter.

Mas, diante de uma cultura de crescente negação da política, ampliada pela criminalização dos políticos, temos que contabilizar os 23,0% que declaram que não se informam sobre política, não querem saber de política e desligam a TV ou bloqueiam toda e qualquer página ou comentários políticos que apareçam em suas redes sociais. A metade desses eleitores afirma que se informa sobre política no tempo da eleição e a outra metade se mostra um eleitor adepto do voto branco ou nulo ou até se orgulha em se manter afastado desse mundo.

E ainda encontramos 2,0% dos eleitores que citam que se mantém informados sobre a política através do relacionamento com partidos políticos, movimentos sociais ou ONGs.

Autor

Elis Radmann

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996 e tem a ciência como vocação e formação. Socióloga (MTB 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e tem especialização em Ciência Política pela mesma instituição. Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Elis é conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) e Conselheira de Desburocratização e Empreendedorismo no Governo do Rio Grande do Sul. Coordenou a execução da pesquisa EPICOVID-19 no Estado. Tem coluna publicada semanalmente em vários portais de notícias e jornais do RS. E-mail para contato: [email protected]
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