Como os eleitores estão acompanhando a campanha

Por Elis Radmann

A eleição se aproxima e 40,4% dos eleitores gaúchos não estão acompanhando as campanhas eleitorais por nenhum meio de comunicação. Esses eleitores se dividem em três grupos: os indecisos, os decididos e os indiferentes. Esses três grupos têm em comum o ceticismo político.

Os indecisos: constituído por eleitores que não se interessam por política e não têm o hábito de conversar sobre política. Também apresentam altos índices de negação com a política e desconfiam das instituições. A tendência é que 1/3 dos eleitores indecisos se abstenha de participar do processo eleitoral. O percentual de indecisão é maior nas cidades com baixa tendência de continuidade (governos com alto índices de avaliação negativa) ou em cidades onde há muitos ataques entre os candidatos. 

Os decididos: são eleitores que também estão descrentes com a política. Têm uma opinião formada e a defendem de forma contundente. Ou se constituem como eleitores que rejeitam os candidatos (votam branco ou nulo) ou já definiram o seu voto antes mesmo do processo eleitoral. Ou seja, se sentem representados por um candidato e não querem prestar a atenção nos demais (nesse grupo há eleitores com preferência partidária ou forte base ideológica).

Os indiferentes: são aqueles que não estão interessados no processo eleitoral por apresentar altos índices de decepção com a política. São eleitores mais suscetíveis ao clientelismo, que afirmam que sua decisão de voto está associada a uma promessa de benefício social ou aqueles que recebem a orientação de um amigo ou familiar, fazendo um "voto manada".

A televisão se destaca entre os eleitores que estão acompanhando o processo eleitoral. Com uma audiência de 44,1%, ainda se mostra como o veículo de maior força para apresentação e propagação das candidaturas. Os eleitores afirmam que acompanham o horário eleitoral gratuito ou os comerciais, que passam durante a programação. A audiência do horário eleitoral gratuito é maior entre os eleitores acima de 35 anos de idade.

O Facebook (6,5%) e o Instagram (4,0%) mostram que mais de 10,0% dos gaúchos estão acompanhando as eleições apenas pelas redes sociais. Esse índice aumenta nas cidades em que não há campanha eleitoral em televisão e rádio. São eleitores com menor faixa etária e que estão sempre conectados (média de 6 horas de utilização das redes). Costumam ser impactados com as campanhas eleitorais impulsionadas pelos seus candidatos em sua timeline. Mas também tem o hábito de pesquisar as páginas dos candidatos ou até mesmo "dar um Google" para ver o que aparece na internet sobre o candidato pesquisado.

Na reta final das campanhas os candidatos terão que utilizar os vários canais e formas de relacionamento com o eleitor para cristalizar a sua tendência de voto, fazer reconversão ou até mesmo para chamar o voto útil. Entretanto, os candidatos devem gastar as suas energias apresentando as suas propostas: "o que o candidato pretende fazer e como fará para executar".

A maioria dos eleitores não gosta de ver ataques e teme a última semana da eleição. Para os eleitores, a última semana é marcada pelos confrontos entre os candidatos e pelo "barulho" que é potencializado pela ampliação dos carros de som.

Os candidatos têm essa última semana para mostrar "ao que vieram", o desafio é motivar o eleitor.

Autor
Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO - Instituto Pesquisas de Opinião em 1996. Utilizando a ciência como vocação e formação, se tornou uma especialista em comportamento da sociedade. Socióloga (MTb 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na UFPel e tem especialização em Ciência Política pela mesma universidade. Mestre em Ciência Política pela UFRGS e professora universitária, Elis é diretora e Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) www.asbpm.org.br

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