Em colunas anteriores registrei os sentimentos de orgulho e … que os cooperativados tinham para com o trabalho que construiam. Mas… e como era mesmo este sentimento lá no final da década de 70, quando a Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre estava em construção? Pois uma pesquisa realizada no segundo semestre de 1976 identificou esta percepção ao consultar mulheres e homens que estavam integrados àquela iniciativa pioneira entre jornalistas brasileiros.
O início desta consulta está na assembleia realizada em outubro daquele ano, que entre suas decisões criou o Conselho de Desenvolvimento Cooperativo. Sua missão: estimular o estudo dos princípios do cooperativismo e trabalhar para fortalecer o espírito cooperativista entre os associados. Tarefa difícil para aquele tempo: lidava-se com um sistema econômico ainda quase desconhecido e, quisessem ou não, todos os jornalistas estavam, em maior ou menor medida, enredados no tecido do capitalismo e de seus desdobramentos.
Pois bem. Uma das primeiras ações do CDC foi exatamente ouvir os desejos dos associados e averiguar a imagem que a Cooperativa dos Jornalistas e suas inúmeras atividades tinham junto a eles. Retornaram 84 dos questionários enviados, o que correspondia exatamente a um terço dos cooperativados à época, e as respostas foram apresentadas de forma transparente em uma circular em maio de 1977.
Os sentimentos dos descontentes foram expostos tanto quanto os aplausos. Eles eram apenas sete entre os 84, e declararam-se insatisfeitos com a atuação da direção da cooperativa, dois por falta de motivação e dois acusando inclusive de ter sido formada uma “panelinha fechada” na administração do negócio. A leitura que se fez desses retornos negativos indicava que a desilusão dessa minoria decorria menos de divergências de princípio e mais de experiências frustrantes na Coojornal ou no convívio com integrantes da cooperativa. Também se intuiu que as restrições teriam surgido sobretudo na fase em que o Coojornal, ainda como boletim interno, criticou colegas e até associados os, assumindo, na interpretação do Conselho, uma espécie de “consciência crítica” da classe, o que acabou tendo repercussões claramente negativas.
O questionário procurou levantar a vida profissional de cada um, e identificou que 58 trabalhavam em jornal, 11 em rádio, 16 como free-lancers, 2 em televisão, 2 em gabinete de imprensa, 3 em publicidade e 6 na Coojornal. Cinco, provavelmente desempregados, não responderam este item. O total de respostas ultrapassa 84 porque alguns tinham mais de uma atividade. O número de profissionais que declararam trabalhar na Coojornal também foi significativo — indício de que o questionário estava mal formulado nesse ponto, já que a maioria dos que atuavam na cooperativa respondeu ao item.
Aferiu-se o tempo de exercício profissional e a formação: 32 tinham curso de jornalismo, 23 estavam em formação, e os demais se distribuíam entre os que não possuíam curso e os que não pretendiam fazê-lo. O perfil médio do associado apontava para um jovem do sexo masculino: eram 64 homens e 16 mulheres (quatro não se identificaram), sendo 63 na faixa dos 20 aos 30 anos. Outra maioria expressiva, formada por 60 respondentes, manifestou o desejo de trabalhar na Coojornal, um forte indicativo de que se estava no rumo certo e de que se construía um empreendimento desejado.
O que explica este desejo é que o desempenho da cooperativa foi muito bem avaliado: 37 disseram concordar com o que estava sendo feito e 33 concordaram com alguma restrição. Sete discordavam, mas mantinham a fé na iniciativa. Nenhum considerou a Coojornal um insucesso, muito pelo contrário. Das respostas todas o Conselho concluiu que, mesmo não tendo sido feita uma tabulação científica, foi possível perceber que, entre as aprovações absolutas, predominavam as de associados com pouco conhecimento a respeito da operação da cooperativa.
(Tem mais na semana que vem.)


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