“É a economia, estúpido.” Este foi o bordão repetido à exaustão por James Carville, marqueteiro da campanha de Clinton em 1992, toda vez que alguém sugeria um novo eixo de campanha para o candidato.
Por longas décadas, grande parte das elites brasileiras explicitou seu desprezo às massas, e os outros, a mais serena indiferença. Fechados no pensamente tosco e simplista, segundo o qual pobre só serve para ser mão de obra barata, para trabalhos insalubres, mais nada. Nunca lhes passou pela cabeça que as camadas mais pobres da população representavam uma demanda reprimida secular. Eram milhões de potenciais consumidores, ávidos para comer mais e melhor, vestir, adquirir bens de consumo e fazer tudo que todo mundo gosta, o que todo mundo quer.
Há muito que o presidente Lula não representa mais nenhuma tendência ideológica, com os matizes daquilo que se convencionou chamar de esquerda e direita. Lula representa o Lula. Não sou eu quem diz, trata-se de um fenômeno reconhecido no varejo e no atacado. A ala que procura cabelo em casca de ovo corre para dizer: Ah, pois é, mas ele manteve a política econômica de Fernando Henrique. Isso mesmo. Lula foi o primeiro presidente que não destruíu projetos e ideias do governo anterior, e, ao manter, pegou o bastão e o levou a patamares inimagináveis.
Em seus extremos, a esquerda quer redistribuir a escassez, e a direita, encher os bolsos, acumular por acumular e o resto que se… dane, evitei o palavrão pertinente. Nos Estados Unidos é notável que extrema direita é perfil de índole e caráter. Mas lá não precisa ser de extrema para professar a ideologia do ódio. Ódio ao negro, ao homossexual, a pobre, ao imigrante, ódio a tudo que não sejam suas famílias, suas propriedades e seus amigos.
No Brasil esta tendência é velada, e é na ponta do iceberg que aparece o ódio ao presidente Lula. Façamos o seguinte: troque o nome Lula por Xunda. O presidente Xunda não é nordestino, vamos supor que seja paulista, pode falar por metáforas, ser inculto e iletrado, não tem importância – o importante é que ele sempre defendeu o mercado forte. A extrema direita velada iria desejar perpetuá-lo no poder, justamente porque o presidente Xunda (Lula), rompendo todos os precedentes históricos, foi na contramão das depressões econômicas sazonais e, de fato, criou um mercado forte, embora sem minimizar o Estado. Se for perguntado, o nazistóide vai dizer que adora o presidente Xunda desde criancinha. Mas se retirar o nome Xunda e voltar a por Lula, pronto. O facistóide vai fugir como quem foge de uma pessoas portadora de Hanseníase, embora hoje haja tratamento e cura para este doença.
Grande parte do empresariado brasileiro deseja que a sucessora escolhida por Lula dê continuidade ao seu governo, porque não há oposição para economia que anda nos eixos.
Milhões de brasileiros recém saídos da miséria e outros milhões saídos da pobreza querem que Dilma vença, porque não há rejeição para economia que anda nos eixos.
Os banqueiros de um modo geral torcem por Dilma, pelas mesmas razões.
O imenso tecido social que compõe o bom senso coletivo, os olhos, os ouvidos e a opinião silenciosa do país, quer que o pensamento e as práticas econômicas e sociais de Lula continuem pela via da sucessão, porque ninguém quer trocar um sistema que está dando certo.
Serra não tem cabelos para arrancar, e seus marqueteiros, frustrados após tentarem todos os recursos conhecidos no maravilhoso repertório da tecnologia e das estratégias do marketing político, perguntam:
– Mas por que? Por que ela subiu 17 pontos?
É James Carville, marqueteiro da campanha de Clinton quem dá a resposta: é a economia, estúpido.

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