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É tempo de náusea existencial

Em véspera de Natal a gente fica mais sensibilizado, mais emotivo, digamos. Não vejo a hora de ver as expressões de tédio de minhas …

Em véspera de Natal a gente fica mais sensibilizado, mais emotivo, digamos. Não vejo a hora de ver as expressões de tédio de minhas velhas tias no entorno da ceia. As crianças derrubando o sarabulho na toalha e depois correndo pela casa. E os adultos, fazendo cara infantil ao pegarem os presentes e dizerem que o Papai Noel deixou para… e a criança escuta com olhar de adulto, como se estivesse testando a sua paciência com aquela pieguice toda, enfim, mais um Natal, mais uma náusea existencial.

Foi para fugir deste estado de espírito que resolvi pensar nos meus leitores. Quantos são é irrelevante, não sou candidato a nada, mas quem são, ah, isso sim me comove. Se alguns leem os meus escritos, com uma certa regularidade, significa que me conhecem o bastante para concordar, ou discordar, mas enfim, somos uma pequena e seleta confraria batendo papo na mesa deste bar virtual.

Um privilégio que me agrada muito nesta condição é que eu falo o tempo todo e ninguém me interrompe. Pode acontecer de o leitor, irritado, interromper a leitura. É como se ele, ou ela, a leitora, virasse as costas e me deixasse falando sozinho. Olha, se você já fez isso, de sair sem completar a leitura, me escreva, abra o coração, reclame, me cobre mais coerência, ou mais loucura, mais insensatez. Prometo escrever uma crônica só para você. Num grupo tão pequeno de leitores e leitoras, não posso me dar o luxo de perder ninguém. Nunca teve a sensação de estar pregando no deserto? Às vezes tenho este pressentimento. Não por culpa do Coletiva, que é um baita site de comunicação, no varejo e no atacado.

Mas confesso que já cheguei a imaginar as minhas crônicas pairando e aterrizando num um deserto árido e vazio. As letras caindo do papel, melhor, do vídeo. Bate um vento e espalha as palavras na areia escaldante. Restam algumas sobre a penedia, ainda dá para ler: … amizade… afeto… saúde… tolerância… carinho com as pessoas que se encontram vulneráveis… atitudes mais firmes com o meio ambiente… nunca te vi e sempre te amei… Fiquem comigo em 2010, e se tenho seis leitores, pelo menos sejamos unidos. Um feliz Natal e um  forte abraço do Paulo Tiaraju, seu cronista.

Autor

Paulo Tiaraju

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