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Ecos de uma Eco

Em 1990, comecei as pesquisas para escrever o livro “Antonio”s Caleidoscópio de um Bar”, lançado em 1992. Uma tarde, a caminho do Antonio”s, dei …

Em 1990, comecei as pesquisas para escrever o livro “Antonio”s Caleidoscópio de um Bar”, lançado em 1992. Uma tarde, a caminho do Antonio”s, dei carona para dois amigos publicitários e um deles me provocou:

– Então, Mario, o que é que você vai inventar para a Eco 92?

– Confesso que nem pensei nisso, mas há pouco tempo comemos todos um milhão de moscas. A Mesbla (loja de departamentos de origem francesa e falida há anos) montou uma réplica menor da Torre Eiffel no Aterro e não ocorreu a ninguém fantasiar um aviador de Santos Dumont e dar umas voltinhas na torre, numa réplica da 14 Bis.  Seria notícia no mundo. Vou pensar na Eco.

Meses depois, lembrei-me que havia guardado um impresso com uma casa que utilizava diversos recursos naturais. Eu havia recortado, também, uma pequena matéria publicada em O Globo, onde havia um forno criado para países tropicais, cujo calor é solar.

Fui ao baú e desenvolvi o anteprojeto de um espaço educativo – para visitação escolar e do público em geral –, onde agreguei diversos sistemas de energias solar e eólica, captação de água, reaproveitamento de lixo e outras coisas à disposição do homem.

O Projac, da Rede Globo, em Jacarepaguá, ainda era projeto e o imenso terreno poderia acolher, sem prejuízo, minha proposta de educação ambiental.  

Ainda apenas no papel, apresentei a idéia para a direção comercial da Globo que, interessada, perguntou: Quanto?

– Para saber “Quanto”, preciso de US$ 30 mil para transformar papel em maquete e desenvolver a idéia do projeto de forma total: 50% agora e 50% na entrega de tudo.

– Tire a nota.

Fui à luta, estive na COPPE – Coordenação dos Programas de Pós-graduação de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro –, onde colhi ensinamentos sobre diversas formas de energia, consegui da Universidade da Paraíba material sobre energia eólica, em São Paulo; no IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo – aprendi muitas coisas e, como curiosidade, o uso, em conjuntos populares, de eficientes descargas de privada, criadas pelo IPT, utilizando pouco mais de três litros d”água, brutal economia entre os padrões brasileiros com gastança acima de 10 litros.

Aliciei um então iniciante em propaganda (hoje publicitário de respeito) Guto Graça para ajudar-me e acionei o amigo-irmão, cenógrafo Cyro del Nero, para “arquitetar” o projeto numa chamada “operação de risco”.

Resultado: uma maquete do tamanho de uma mesa de pingue-pongue, acompanhada de um texto todo detalhado do projeto e com todas suas ações previstas. 

Era 1991 e o mercado de propaganda estava em baixa. A Rede Globo concluiu que só conseguiria parceiro para a construção e o funcionamento do espaço se alavancasse recursos junto aos grandes e tradicionais clientes. Seria como passar dinheiro de um bolso para outro, sem nenhuma margem de rentabilidade. Para um faturamento já medíocre, seria péssimo. Pagaram-me o restante e liberaram-me o trabalho que, é claro, não aconteceu.

Quando da apresentação para o dr. Roberto Marinho, ele, depois de ver tudo, disse-me:

– Sintetize o objetivo.

– Os índios que habitavam parte de Minas e o Vale do Paraíba, na proximidade do verão, desciam a Serra no sentido das praias de Paraty, Angra e adjacências. Plantavam roçados de milho, e cada grupo alimentava-se da colheita dos roçados plantados por outros. O objetivo é resgatar parte dessa civilização perdida.

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Autor

Mario de Almeida

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