
Tenho sido muito questionada sobre a tendência da eleição de 2026. E, de forma recorrente, repito: será uma eleição tensa e intensa. Muitos me respondem que todas as eleições são assim. Mas insisto: esta será ainda mais.
Em primeiro lugar, é preciso compreender que o momento conjuntural e estrutural do Brasil e do mundo é singular. Vivemos um ambiente de disputas mais hostil, em que o poder político, militar e, sobretudo, comercial, desenha novos cenários. A polarização entre esquerda e direita se mantém em várias partes do mundo. Nesse contexto, produtos brasileiros são taxados, a população sente os efeitos da guerra no bolso e teremos um grande debate sobre como usufruir de nossas reservas de terras raras, o novo ouro.
No plano interno, a polarização continuará. direita e esquerda dependem uma da outra e irão discutir desde o golpe de 8 de janeiro até o pedido de anistia. A campanha será marcada por emoção e tensão, especialmente com os desdobramentos das delações premiadas envolvendo o caso Banco Master e até o INSS. Não sabemos quem será atingido, nem o quanto cada lado está envolvido. Mas sabemos que haverá impacto e muitos ficarão pelo caminho. E como a saída não é chegada, tudo pode acontecer!
A ciência política sempre considerou que o tempo da política começava com o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão. Essa lógica foi enfraquecida. Hoje, vivemos uma disputa permanente de teses e de imagem nas redes sociais, nos grupos de WhatsApp e na judicialização da política. Os políticos gastam mais energia em brigas do que em soluções para os problemas reais das pessoas, um mais preocupado em aparecer bem na foto e manter a sua narrativa, motivando seus apoiadores a se manterem em estado de alerta e não saírem das bolhas.
E, para aumentar a desesperança dos eleitores, teremos uma campanha eleitoral com uma enxurrada de informações falsas. A inteligência artificial já produz vídeos falsos que parecem reais, mostrando políticos em falas que nunca existiram, ganhando o apoio de eleitores desavisados ou que acreditam que a verdade é inquestionável pois estão vendo a imagem e ouvindo a voz
Quando o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião vai às ruas ouvir a população, os argumentos de desconfiança se repetem: serviços públicos ineficientes, políticos que decidem sobre saúde e educação sem usar os serviços que oferecem, já que contam com planos privados pagos pelo governo e até auxílio educação.
Para o eleitor, o ideal seria a despolarização: um candidato que não se preocupasse com ideologia, mas sim com entregas, e que ajudasse as pessoas a terem uma vida digna, garantindo segurança pública, mobilidade, saúde, educação e oportunidades de trabalho.
Sem contar que os eleitores têm um sonho antigo: que houvesse um real enfrentamento em relação aos esquemas de corrupção presentes em todos os níveis de poder, inclusive entre aqueles que deveriam proteger a sociedade, como por exemplo fiscais, médicos, policiais, juízes etc.

