Amigas e amigos, agradeço a ajuda.
Semana que vem voltarei a escrever mais feliz e, até, emocionado.
Depois de 35 anos de casamento, meu amigo perdeu a companheira, conta a saga da sua família, faz versos e eu destaco:
Ausência
Está tão difícil falar de você.
Presença é lembrança, não vou te esquecer.
Retrato maltrata não fala, não vê.
Assim vou vivendo, sentindo e chorando,
pensando um engano: volto a te ver…
Aderbal Moura, Rio.
Liberdade
Tive uma professora de alfabetização linda, a Mariza. Muito séria, fez um colega, o Paulo Henrique, engolir um avião de papel que jogou nela de molecagem já no primeiro dia de aula. Crianças danadinhas sempre existiram, mas o professor tinha todo o suporte da sociedade para se impor na sala de aula.
Esta linda professora me ajudou a realizar a mágica definitiva da minha vida. Lembro tão vivamente da sua caligrafia em giz branco no quadro, que ainda era negro, das primeiras combinações de consoantes e vogais que podiam gerar sons diferentes. Já na primeira consoante combinada com as primeiras vogais eu entendi tudo, larguei o caderno, abri o livro e comecei a ler tudo. Naquele momento senti que o mundo era meu. Não havia limites para o que eu quisesse descobrir. Descobri a liberdade.
Coisa boa é a memória, que ignora a distancia imposta pelos anos. Obrigada, Mário, pela oportunidade.
Circe Aguiar, Rio.
Essa doeu.
Emoção brava que senti foi das coisas mais difíceis de ouvir.
Fui apaixonada por um rapaz que é meu amigo de infância e nos envolvemos durante um tempo, mas ele é bem mais novo, e andava num período bem complicado. Muitos problemas pessoais e de família.
Era e ainda sou amiga da mãe dele. Quando ela soube da nossa história, ficou muito feliz. Eu era o sonho de nora dela! Mas depois de ver os comportamentos do filho, ela um dia se virou para mim e disse: – Por mais difícil que seja para mim te dizer isso, você merece um homem melhor.
Foi muito doido e doído ouvir da mãe do homem que eu amava que ele não era homem para mim. Doeu muito mesmo.
Emengarda Fontes, Lisboa.
Dedicação
Em 1986, meu filho Leandro estava fazendo dois anos e resolvi, eu mesma, fazer uma festinha para ele com o tema “Os Smurffs”.
Passei uma semana recortando, colando, pintando aquelas minhoquinhas azuis.
Depois de tudo pronto e decorado, levei-o para ver o salão de festas e me emocionou muito e até hoje me emociono quando me recordo da sua vozinha toda alegre dizendo -“Que lindo, mamãe!”
Suely Singer Afonso, Rio.
Resgate
Quando papai morreu, deixou somente um salário mínimo mensal como despedida. Mamãe, viúva aos vinte e sete e com três guris para criar, teve que improvisar, ocupando um quartinho de fundos da casa do meu avô. Todas as tias ajudavam com roupas, brinquedinhos, conselhos e até abrigo temporário. Menos o tio Antonio. Este, quando aparecia, desdenhava dos sobrinhos afirmando que quando fôssemos maiores, não daríamos para nada e seríamos uns vagabundos.
Determinado dia, avós já idos, saindo de um restaurante na Rua do Ouvidor, dou de cara com meu avô… ou melhor, com uma figura com o rosto, expressão, barba, bengala, terno, cachimbo e até mesmo o claudicar do velho. A ficha só caiu mesmo quando percebi que só podia ser o meu tio Antonio, ora personificado como meu avozinho.
O senhor é meu tio Antonio? – perguntei-lhe desconfiado. Ele me fixou seus olhos cansados e me observando de alto a baixo, deixou perceber que havia ficado na mesma. Para facilitar, adiantei: Sou o Beto, filho da Adozinda, sua irmã… Ele, parecendo que voltou no tempo, sorriu amarelinho e disse rouco e baixinho: – acho que sou sim… Mas você está um homem… Incrível como naquele momento, aquela figurinha chochinha, ‘vestida’ pela imagem do meu avô conseguiu dissipar todo ressentimento, mágoa e tristeza guardados durante um bom tempo. Parecia que vovô, vestido de tio Antonio, havia retornado só para me resgatar daquele incômodo interior. Então, dando-lhe o braço, me fiz de companhia durante a sua refeição. Depois, bem devagar, lá se foi ‘meu avozinho’, espetando a calçada com sua bengalinha velha. Não o vi de novo, mas toda lembrança deste episódio, que apagou mágoa profunda, me estampa um misto de sorriso nos lábios com lágrima de canto de olho. Agradeço pelo meu fardo de ressentimentos, agora muito mais leve e suportável.
Bênção, vovô, vovó, mamãe e titio. (Mário, porcaria, não me faça chorar de novo…).
Roberto de Jesus Castro, Rio.
Inté.
Vitrine (comentários de leitores sobre a crônica anterior)
Muito bom, Mario. É emocionante. Abraços. Coelho, São Paulo, São Paulo.
Jovem Mario, excelente experimento. Moisés Andrade, Olinda/Recife.

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