Essa mania de grenalizar a informação

Por Grazi Araujo

Quando se escolhe o jornalismo como profissão, vem junto a necessidade de ser imparcial ao comunicar. Todos sabemos disso, é premissa. O papel é informar e não expor a opinião pessoal que, convenhamos, todos os seres humanos têm alguma. Mas daí entra a máxima de que "um lado sempre acha que tu tá do outro", como disse uma colega enquanto batíamos um papo sobre isso.  

No futebol, se o narrador se empolga com um gol do time adversário, ele tá torcendo contra o seu. Na política, se noticia algo da oposição ao seu pensamento, ele é esquerda ou direita. Se comunica que o comércio vai abrir, não se preocupa com o vírus. Quando informa que fechou, é insensível à economia. E por aí vai. Como é fácil apontar o dedo, classificar alguém disso ou daquilo, achar que a sua dor é maior do que a do outro. Há um ano vivemos um dia de cada vez, uma semana esperando boas notícias, programando trabalho, aula e tudo mais que aprendemos a fazer remotamente, de acordo com número de leitos, casos, mortes. Uma bandeira foi a forma encontrada de sinalizar o perigo, como aprendemos desde criancinha olhando as guaritas de salva-vidas na areia antes de entrar no mar. Quando tá preta, o mar não tá seguro pra banho. Qualquer semelhança não é mera coincidência.  

Alguém mesmo acredita que algum gestor político, seja qual for a sua ideologia, gostaria mesmo de fechar escolas, lojas, restaurantes? Gostaria de ver a economia também colapsar? Se libera, é irresponsável. Se fecha, é maluco. Gente, não tá fácil pra ninguém. Mas vamos voltar a falar de comunicação para que daqui a pouco eu não seja mal interpretada politicamente. Apitar um jogo sentado no sofá sempre foi um hábito, não é mesmo? Fico pensando no peso da camisa de quem entra em campo, fardado, com a braçadeira e a responsa de representar um time e uma imensidão de torcedores apaixonados. A torcida rival vai estar sempre secando, é praxe.  

No jornalismo, não são máquinas e robôs por trás das telas. São pessoas de carne, osso, sentimento e que têm acesso a diferentes dados que chegam primeiro a eles, pela busca da notícia e da informação correta. A isenção faz parte da ética, mas a liberdade de expressar a sua posição é de acordo com o perfil do veículo, da editoria e da função de cada um. Só que a falta de noção é tanta de algumas pessoas, que rotulam um profissional pela matéria por ele apurada, como se não houvesse técnica, construção e conhecimento do que se faz. Temos a opção de escolher o que ler, assistir, ouvir. Há uma gama de veículos sérios e comprometidos com a verdade. Não seja o chato que fica apontando o dedo para um profissional que está ali pensando em levar até o seu alcance uma notícia construída com muita responsabilidade. Fale da sua opinião, do seu trabalho, das suas dores. Só não julgue o outro como se dono da verdade você fosse. Um pouquinho de noção, empatia e respeito só agrega.

Autor
Grazielle Corrêa de Araujo é formada em Jornalismo, pela Unisinos, tem MBA em Comunicação Eleitoral e Marketing Político, na Estácio de Sá, pós-graduação em Marketing de Serviços, pela ESPM, e MBA em Propaganda, Marketing e Comunicação Integrada, pela Cândido Mendes. Atualmente orienta a comunicação da bancada municipal do Novo na Câmara dos Vereadores, assessorando os vereadores Felipe Camozzato e Mari Pimentel, além de atuar na redação da Casa. Também responde pela Comunicação Social da Sociedade de Cardiologia do RS (Socergs) e da Associação Gaúcha para Desenvolvimento do Varejo (AGV). Nos últimos dois anos, esteve à frente da Comunicação Social na Casa Civil do Rio Grande do Sul. Tem o site www.graziaraujo.com

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