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Ficar em casa é um ato de respeito

A coluna de hoje é um exercício de reflexão, de empatia e de reconhecimento. Com toda essa situação que o mundo está vivendo, ao mesmo tempo, tem um grupo de pessoas que não pode se esconder do vírus. Pelo contrário, todos os dias, ao sair de suas casas, estão indo ao encontro do coronavírus. São os profissionais da saúde, que entre eles, está o meu marido. O que divide a casa, o colchão, as contas, os compromissos, as preocupações e todas as responsabilidades que a vida a dois traz na carona. 

Temos acompanhado a infinidade de problemas que tudo isso está causando. Fechamento de comércio, desempregos à vista, escolas fechadas, adaptação de rotinas, brigas políticas, pressão de diferentes setores, cobertura jornalística, exemplos do que fazer e o que não fazer e por aí vai. 

Eu tô tendo a experiência de ser testemunha de quem está no front do combate e preciso confessar que é surpreendente a coragem. 

Quando tudo começou ainda não tínhamos dimensão do tamanho. Na real, ainda não temos bem a noção porque não estamos no olho do furacão. As estatísticas mostram que lá em cima foi pesado, as imagens trazem para o “futuro” o caminhão de corpos das vítimas, a falta de equipamentos para tratamento e de EPIs para os profissionais da saúde, que estão sendo contaminados a rodo. Como eu tenho resumido isso? Medo. Estamos com medo. Não de perder nossos empregos, com a graça de Deus, nem de passar fome ou alguma necessidade tão desesperadora. A facilidade do contágio é tamanha que é quase um deboche acreditar que estaremos a salvo. Temos nos apegado muito na fé, nos cuidados de higiene, nas saídas esporádicas até o mercado. Mas isso todos estão fazendo ou deveriam estar. Aqui em casa, meu marido tem contato diário com suspeitos do coronavírus, junto com toda a equipe que também está sentindo tudo isso na pele. Imagina o psicológico dessas pessoas! Por mais que sejamos cúmplices, eu não tenho como me colocar no lugar dele para saber como é isso tudo. Só quem está vivendo que tem a real noção dos riscos expostos. Ele me confessou esses dias que precisávamos de um plano para nosso isolamento, já com a certeza que seria contaminado. A probabilidade é gigante, nós sabemos. Então eu disse: tu é forte, vai passar por isso. E ele me devolveu: e a culpa de trazer isso para o meu filho e para ti, como faz? É muito mais complexo do que quem tá de fora imagina, gente. 

O texto de hoje foi para fazer um pedido: fiquem em casa! Cada um que se expõe ao Coronavírus é mais um que estará exigindo cuidados, leitos, respiradores. Por trás de cada médico, enfermeiro, técnico de enfermagem, há esposas, maridos, filhos, mães, pais, vizinhos…por isso, eu reforço: não é uma gripezinha. Somos fortes para passar por isso, mas mais fortes para aprendermos com isso. Ter a atitude de ficar em casa – para quem pode – é cuidar além de si, do outro. E do outro. E do próximo. E de quem a gente nem conhece. Cada vez que vejo alguém reconhecer a importância deste isolamento, meu coração fica mais quentinho e cheio de esperança. 

Autor

Grazielle Araujo

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