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Genocídio alimentar

 “Em 1946 é publicado ‘Geopolítica da fome’, de Josué de Castro. Este livro foi uma revelação para os europeus. O título indica que a …

 “Em 1946 é publicado ‘Geopolítica da fome’, de Josué de Castro. Este livro foi uma revelação para os europeus. O título indica que a fome é de origem política, e não da natureza. Castro, um gênio, foi o primeiro presidente da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) e é esquecido no Brasil. Ele deveria ter um monumento em cada cidade do país, porque é um dos maiores pensadores do século XX.”

Jean Ziegler

Em 1954, terminadas as festividades do IV Centenário da cidade de São Paulo, decidi mudar-me para o Rio, para tentar, na cara e na coragem, viver de teatro – só teatro.

No verão de 55, juntei roupas e mudei-me.

Não vivi fantasias e sabendo que tarefa e profissão não eram fáceis, conheci a Biblioteca Nacional lendo Fome, do norueguês Knut Hamsun (1859-1952), detentor de um Prêmio Nobel de Literatura.

A partir daquela leitura e do acompanhamento do trabalho do pernambucano Josué de Castro sobre a fome, nunca mais me desliguei do assunto, sobre o qual, inclusive, escrevi diversas colunas aqui em Coletiva.

Fui, há pouco, gratamente surpreendido por uma longa entrevista* do sociólogo suíço Jean Ziegler (79), cujo saber engloba todas as razões e problemas que envolvem a fome no mundo e soube de alguns dados surpreendentes, como o fato de que, hoje, a produção de alimentos é igual ao hipotético consumo do dobro da população mundial com uma dieta diária de 2.200 calorias per capita. De acordo com o sociólogo, não faltam alimentos, falta acesso aos mesmos. Então, enfatiza Ziegler, “uma criança que morre de fome, hoje, é assassinada”.    

Entre os mecanismos que transformam os alimentos em especulação econômica, Ziegler ressalta as bolsas de commodities voltadas para produtos como arroz, milho e trigo e o poder das gigantescas multinacionais voltadas para as áreas agrícolas.

Tamanho do genocídio alimentar no mundo: 56 mil pessoas morrem de fome por dia.

O Brasil não foge ao quadro focado pelo sociólogo para o qual dá duas sugestões  possíveis: a reforma agrária e a agricultura familiar.

Ziegler relembra Josué de Castro: “Quem tem fome tem pressa”. 

Inté.

* Caderno Prosa, O Globo, 13.07.2013

Vitrine (Correio Virtual)

Tio, li agora suas duas últimas colunas. Maravilhosas como sempre! Muito do que você não gosta eu compartilho, inclusive os carros pelo acostamento que o Eduardo Coelho comentou. Na verdade, trânsito de dia em geral eu não gosto. Quando soube que a Copa seria aqui eu adorei, mas quando vi o que era necessário pra isso eu preferi que fosse em outro lugar. Beijos, melhoras, te amo! Teu sobrinho Ulrich, Fortaleza

Olá Mario. Tudo bem com a tribo? Esta crônica sua faz a gente ter saudades da Ditadura. (Eduardo) Coelho, São Paulo (Não seria ético eu usar apenas uma parte da carta do Paulo Figueiredo. As saudades são dele. M.A.)

Autor

Mario de Almeida

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