Minha última crônica aqui tinha o título “não é preguiça”. Hoje, não é bem preguiça, mas atropelado por outros trabalhos, vou fazer vocês (para os gaúchos, tus) pensarem um pouco comigo.
Pensamento 1: dizem que sou debochado, debochada é a realidade, não eu. Agora, pense comigo: se toda regra tem exceção, a exceção dessa regra é uma regra sem exceção. Estou farto de saber que só se dá conselho a quem pede, mas vou dar esse enquanto você está sóbrio: se dois e dois já não são quatro, nem tome a saideira. “Mais vale quem Deus ajuda que quem cedo madruga” não é pretexto para começar o dia dizendo “Boa tarde”.
“Se Deus quiser” é uma expressão de esperança de nossa cultura. Já no Japão, existem seitas religiosas cujos fiéis escondem seus grandes desejos, por puro medo que “Deus não queira”. O Deus deles não é confiável.
O Deus da Bíblia expulsou do Paraíso Adão e Eva por terem comido o fruto proibido. Face à versão que o proibido não era a maçã, mas outra coisa, pergunto: mas pode haver Paraíso sem a “outra coisa?”.
De acordo com o Gênesis, depois daquela degustação da maçã que resultou na maior indigestão de todos os tempos, veio a praga “ganharás o pão com o suor do teu rosto”. Sim, mas Adão e Eva compraram o trigo onde, na Argentina ou em Passo Fundo? Será que o Deus da Bíblia comandou o Dilúvio porque o povão estava abusando da dieta da maçã? Sobre o Dilúvio não arrisco nada, mas o enxofre e fogo que destruíram Sodoma e Gomorra foram mesmo para acabar com a farra na Terra. Só sobrou o Carnaval.
Mario Quintana e eu não perdoamos um mesmo provérbio. Eis o que escreveu o tocaio: “Alguém já se lembrou de fazer um estudo sobre a estatística dos provérbios? Este, por exemplo: “Quem cospe para o céu, na cara lhe cai”. Tal desarranjo sintático faria a antiga análise lógica perder de súbito a razão”. Eu fui mais grosso: entre o cara que escreveu esse provérbio e o cara que cospe para o céu, qual você acha mais imbecil?
Agora, miniconfissões:
Os machistas que me perdoem, mas mulher é muito melhor.
Os intelectuais que me perdoem, mas prefiro loira burra a homem inteligente.
Na primeira vez que vi mulher nua, me assustei. Na segunda, comemorei.
Deixei de acreditar em Papai Noel assim que comecei a brincar de Papai e Mamãe.
Já que aprendi, lembro para vocês, Ascenço Ferreira, em Filosofia:
Hora de comer,
-comer!
Hora de vadiar,
– vadiar!
Hora de trabalhar?
– Pernas pro ar que ninguém é de ferro!
Inté.
***
Em setembro do ano passado, houve uma revoada de artistas de São Paulo e Rio para Porto Alegre onde, em 1958, foi fundado e construído o Teatro de Equipe. Era uma homenagem especial ao Equipe, do qual fui fundador, encenador e Diretor Geral, feita pelo “Porto Alegre em Cena”, evento anual e internacional de teatro. Lá estivemos, entre outros, Paulo César Peréio, Paulo José, Luiz Carlos Maciel e eu. Foi lançado, no evento, o livro “Trem de Volta – Teatro de Equipe”, de minha autoria e do jornalista Rafael Guimaraens, além do depoimento de dezenas de artistas e intelectuais. Em novembro, esse pessoal esteve aqui no Novo Leblon, para o lançamento no Condomínio, e dei autógrafos para mais amigos. Pois bem, esse livro acaba de ser indicado para o Prêmio Açorianos de Literatura, o mais importante prêmio literário do Rio Grande do Sul. Como, entre centenas de títulos, o “Trem de Volta”, na categoria especial, foi indicado com apenas dois outros, a gente já garantiu presença no pódio.
Comercial aos interessados: a Editora Libretos colocou esse livro à venda, também, na Requinte da Barra, aqui no Shopping Novo Leblon. Há muita gente cumprimentando-me pelo lançamento de Semana, como a Ana Maria (sra. Jarrão), a Rose da Auquimia, o Osmar, da City Farma, Francisca e Paulo Roberto, do Ghirlandaio, o Brício, meu ídolo, a Geórgia, da Hidroginástica, o Jorge Pinho, do Masaccio, Paulinho Metrô, do Moretto, o prof. Tony, da Natação e mais gente que, confesso, esqueci. Mas agradeço a todos. Gostei muito de ouvir do Silveirinha (Antônio Gonçalves Silveira, Ghirlandaio) que, comentando palavras elogiosas de uma vizinha sobre o nosso pasquim, disse que ela o achou parecido com os jornaizinhos de nossas pequenas cidades. Acertou na mosca! O espírito é exatamente esse, o de colocar na vitrine a nossa população que, em ordem de grandeza, é a mesma de Tiradentes, pequena e linda cidade mineira.
* Mario de Almeida é jornalista, publicitário, dramaturgo, autor de “Antonio’s, caleidoscópio de um bar” (Ed. Record), “História do Comércio do Brasil – Iluminando a memória” (Confederação Nacional do Comércio) e co-autor, com Rafael Guimaraens, de “Trem de Volta – Teatro de Equipe” (Libretos).

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