Dia desses li uma crônica da Clô Barcellos, ela disse que seu personagem (Fu Lana) não faria falta se morresse. Alegou que a personagem se confessou cansada e sem vontade de viver. Não era verdade. A Clô nem queria matar Fu Lana, nem achava que não faria falta. Mas quis testar a popularidade da Fu Lana. Foi só uma provocação. Quis matar a personagem para obter clamor popular. Seu objetivo era voltar nos braços do povo. Quase escrevi à ela a fim de tranquilizá-la: caso o povo não se mobilizasse para trazê-la de volta em seus braços, eu poderia buscá-la. Voltaria nos meus braços. São só dois, mas são sinceros. Claro, seria apenas um gesto simbólico. Aproveito, incluso, para homenageá-la, por tratar-se da última das Moicanas, o que não é pouca coisa.
Pois agora quem está ligeiramente nauseado sou eu, existencialmente falando. E oco. Oco como um caracol sem lesma, uma tíbia sem tutano, porquinho sem moeda, porongo de pescador, caveira de burro, padre sem vocação, enfim, como a cabeça da Xoxa, a Xuxu, a Xata (escrevi assim para não ser processado pela loira cabeça de tomate seco). Após 2 anos e meio e 120 crônicas publicadas aqui no Coletiva, estou tendo a desfaçatez de pedir uma consulta popular. É o público que vai dizer se devo continuar escrevendo ou não. Mas não se precipite, pense com calma, lembre-se das minhas melhores crônicas. Como? Em absoluto, não estou induzindo você a me dar o voto favorável. Apenas gostaria de salientar que, caso o não (não deve continuar escrevendo) vença, pretendo me jogar da janela do meu apartamento,embora, em nome da ética, devo confessar que moro no térreo. Mesmo assim, sempre há o risco de cair de mau jeito, luxar o pulso, enfim.
Brincadeiras à parte, senti esta necessidade de lavar a roupa suja com você, amigo leitor, você, amada leitora. Diga se já não tenho mais aquele velho tempero, que as crônicas andam sem sal, sem pimenta, sem vitamina, sem cafeína, sem hemoglobina, sem querentina. E você aí, leitor que me odeia e costuma me escrever para dizer isso, (sei que existe um), aproveite que estou vulnerável para se vingar. Mas, cuidado: não se aproxime muito que posso estar só fingindo de morto. Meu objetivo é o de ver a Zulema, minha amiga argentina, chorar por mim. Justamente para que eu possa dizer: não chore por mim, argentina (que horror, essa foi terrível, eu avisei).
Mas agora me dei conta que até para encher morcilha tento buscar alguns temperinhos. Porque não dá para servir chuchu sem sal. Pode ser Chuchu, mas com umas pelotinhas de Al caparra, um tantinho de pimenta de reino, umas gotas de limão, azeitonas recheadas de pimentão-vermelho, uma colherinha de iogurte azedo, puríssimo óleo de oliva e sal a gosto, sirva-se. E bom proveito. Desculpe o mau jeito.
PS. Somente pelo “Não” é preciso escrever para a minha coluna. Havendo silêncio por parte dos leitores, vou entender que votaram pelo sim, votaram pela continuidade das minhas crônicas. Quem concordar comigo permaneça sentado.

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