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In Forma (04/03/2026)

JORNALISMO CHAPA BRANCA

O jornal Zero Hora e sua principal editora, Rosane Oliveira, representam o que de pior existe na imprensa brasileira, um jornalismo que se diz isento, mas que na prática faz sempre o jogo dos poderosos. Coloca no mesmo prato da balança o genocídio que Israel pratica na Palestina e a resistência patriótica do Hamas; entre a Direita e a Esquerda, fica sempre com o Centro.

Aliás, o jornal nasceu com essa marca. No seu primeiro número, no dia 4 de maio de 1964, Zero Hora alinhou-se ao golpe , que ela chamou de “Revolução” apontada como a “salvação da democracia” e contra uma “ameaça comunista”. Depois disso o jornal e seus jornalistas pouco mudaram. O recente episódio envolvendo minha companheira Silvana Moura e o lançamento do livro Brizola Por Ele Mesmo é mais um exemplo do comportamento dúbio da jornalista e do seu jornal.

A pretexto de ouvir os dois lados, Rosane Oliveira no texto que publicou hoje, esqueceu de dizer o que aconteceu: as fitas da entrevista feita por Silvana há 30 anos com Brizola em Carazinho foram entregues à editora Insular para serem degravadas e transformadas em livro. Foi nesse momento que apareceu a jornalista Rejane Guerra com uma transcrição em papel da entrevista que Silvana havia encaminhada a Brizola e exigindo a participação de Juliana Brizola no livro.

Silvana concordou com isso, desde que fosse apenas um testemunho de Juliana sobre seu avô, porque isso apenas enriqueceria a edição. Não o que foi feito: a colocação do nome de Rejane e Juliana na capa do livro como “Organizadoras” e o apagamento do papel da Silvana, reduzido a uma orelha interna.

Eu também escrevi um livro – uma ficção onde Leonel Brizola é mais um personagem, chamado Brizola e Eu, que Juliana certamente o tem –  mas meu nome figura na capa como autor, o que infelizmente não aconteceu com a Silvana. Esse é um direito mínimo de todo autor, meu no passado e Silvana agora: ter seu nome citado com destaque na capa.

Autor

Marino Boeira

Formado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), foi jornalista nos veículos Última Hora, Revista Manchete, Jornal do Comércio e TV Piratini. Como publicitário, atuou nas agências Standard, Marca, Módulo, MPM e Símbolo. Acumula ainda experiência como professor universitário na área de Comunicação na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e na Universidade do Vale do Rio do Sinos (Unisinos). É autor dos livros ‘Raul’, ‘Crime na Madrugada’, ‘De Quatro’, ‘Tudo que Você NÃO Deve Fazer para Ganhar Dinheiro na Propaganda’, ‘Tudo Começou em 1964’, ‘Brizola e Eu’ e ‘Aconteceu em…’, que traz crônicas de viagens, publicadas originalmente em Coletiva.net. E-mail para contato: [email protected]
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