JORNALISMO CHAPA BRANCA
O jornal Zero Hora e sua principal editora, Rosane Oliveira, representam o que de pior existe na imprensa brasileira, um jornalismo que se diz isento, mas que na prática faz sempre o jogo dos poderosos. Coloca no mesmo prato da balança o genocídio que Israel pratica na Palestina e a resistência patriótica do Hamas; entre a Direita e a Esquerda, fica sempre com o Centro.
Aliás, o jornal nasceu com essa marca. No seu primeiro número, no dia 4 de maio de 1964, Zero Hora alinhou-se ao golpe , que ela chamou de “Revolução” apontada como a “salvação da democracia” e contra uma “ameaça comunista”. Depois disso o jornal e seus jornalistas pouco mudaram. O recente episódio envolvendo minha companheira Silvana Moura e o lançamento do livro Brizola Por Ele Mesmo é mais um exemplo do comportamento dúbio da jornalista e do seu jornal.
A pretexto de ouvir os dois lados, Rosane Oliveira no texto que publicou hoje, esqueceu de dizer o que aconteceu: as fitas da entrevista feita por Silvana há 30 anos com Brizola em Carazinho foram entregues à editora Insular para serem degravadas e transformadas em livro. Foi nesse momento que apareceu a jornalista Rejane Guerra com uma transcrição em papel da entrevista que Silvana havia encaminhada a Brizola e exigindo a participação de Juliana Brizola no livro.
Silvana concordou com isso, desde que fosse apenas um testemunho de Juliana sobre seu avô, porque isso apenas enriqueceria a edição. Não o que foi feito: a colocação do nome de Rejane e Juliana na capa do livro como “Organizadoras” e o apagamento do papel da Silvana, reduzido a uma orelha interna.
Eu também escrevi um livro – uma ficção onde Leonel Brizola é mais um personagem, chamado Brizola e Eu, que Juliana certamente o tem – mas meu nome figura na capa como autor, o que infelizmente não aconteceu com a Silvana. Esse é um direito mínimo de todo autor, meu no passado e Silvana agora: ter seu nome citado com destaque na capa.

