COISA DE RICO
A apresentação da primeira dama Janja da Silva, vestindo um traje típico coreano na recepção que o presidente da Coréia do Sul ofereceu ao presidente Lula em Seul, trouxe de volta a velha discussão entre o comportamento dos ricos tradicionais (os representes do chamado Old Money ) e os novos (os chamados nouveau riche) que ainda não aprenderam todos os hábitos da classe que almejam representar.
Existe inclusive hoje, fazendo sucesso nas livrarias, um livro de Michel Alcoforado, 40 anos, antropólogo, podcaster, escritor e palestrante brasileiro, conhecido como Antropólogo do Luxo, tratando dessa questão. O livro se chama Coisa de Rico – A Vida de Endinheirados Brasileiros, tem 240 páginas, custa cerca de 80 reais e analisa o comportamento dos que são ricos há muito tempo e dos que chegaram a essa condição, pelos mais diversos meios, há pouco tempo.
O rico de verdade, segundo o escritor, não gosta de se apresentar como tal, por isso é muitas vezes até modesto em seu comportamento. Alcoforado cita inclusive uma pesquisa Oxfam/Datafolha de 2022, na qual ninguém se declarou rico. Do total de pessoas pesquisadas, 70% se diziam pobres ou de classe média baixa, 29% afirmavam ser de classe média ou média alta – enquanto que a opção por “rico” foi de zero por cento (0%)
Segundo o autor, o novo rico não perde nenhuma oportunidade de chamar a atenção para sua nova condição, o que parece ter sido o caso da nossa Primeira Dama. Como ninguém deve ter dito que ela estava em Seul representando a mulher brasileira, a Janja vestiu um traje coreano.
Uma prova não apenas de desconhecimento das normas de etiqueta que ela deveria obedecer pela sua condição de esposa do Presidente da República, mas também da cafonice que acompanha irremediavelmente a vida dos novos ricos.

