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Lendas Urbanas

Com seis ou sete anos ouvi os adultos falarem à boca pequena a respeito de uma criança que havia sido enterrada viva. O fato …

Com seis ou sete anos ouvi os adultos falarem à boca pequena a respeito de uma criança que havia sido enterrada viva. O fato teria sido confirmado porque a mãe, após ter tido um sonho premonitório, exigiu que abrissem o túmulo. Ao desenterrarem o caixão encontram o corpo da criança de bruços e com o rosto sulcado de marcas de unhas. Supostamente, por desespero, o menino teria se dilacerado. Fiquei profundamente impressionado com a estória sem saber de que se tratava da primeira lenda urbana que tive notícia.

Depois desta tive conhecimento de outras tantas. O sujeito acorda no motel e percebe que a mulher com quem dormira naquela noite não está ao seu lado. Sem pressa vai até o banheiro e vê no espelho uma mensagem escrita com batom: Bem vindo ao clube da Aids. E depois tem a da cobra que picou a mão da menina na gôndola de legumes do supermercado, e ainda me lembro do jovem casal que queria acampar. Como a mãe da mulher era muito velhinha e não podia ficar só, levaram a idosa junto. Resultado: a velha morre durante a noite e no outro dia eles decidem enrolar o corpo na barraca até chegarem em casa. Param para fazer um lanche na beira da estrada, vem um ladrão e rouba o carro com o cadáver no bagageiro.

O mais interessante é que a pessoa que faz a narrativa do caso assombroso jura de pé junto que o fato aconteceu com um parente ou com um amigo que, por sua vez, seria fonte fidedígna.

Gabriel Garcia Marques é mestre no uso pertinente das lendas urbanas para intrigar ainda mais seus romances fantásticos. No livro “O amor e outros demônios”, ele menciona o episódio em que um repórter é escalado para cobrir a abertura do sepulcro de uma menina tida pela comunidade como santa. A velha igreja estava sendo demolida e precisavam levar os restos mortais da santinha para outro local. Ao abrirem o caixão descobrem uma massa absurda de cabelos ruivos, fato logo esclarecido. Os cabelos da menina haviam crescido vinte e três metros após sua morte. Seguramente o autor genial levou para o romance uma lenda urbana.

Eu mesmo tenho um relato pungente para fazer, no entanto, só me sinto autorizado em fazê-lo porque conquistei junto aos meus poucos e bravos leitores alguma credibilidade. Portanto, lá vai: sei de fonte segura que o Senado Federal está realizando um silencioso movimento de autoexpiação.

“Vamos cortar da própria carne” – teria dito Sarney em uma reunião secreta. O objetivo, segundo suas palavras, é “transformar esta Casa numa referência nacional de moralidade e transparência, e dotada de uma ética de aço escovado”. Sarney teria chorado, abraçado em Collor de Melo e Renan Calheiros, que também choraram copiosamente. Foi de partir o coração. Gente, quem me contou é da minha absoluta confiança, eu juro, é verdade… Por que este sorriso irônico?

 

Autor

Paulo Tiaraju

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