Não me chamem de ranzinza, por favor. E me classificarem de rabugenta também está fora de cogitação. Nem coloquem as reclamações feitas a seguir na conta da velhice que vai deixando idosos e idosas mais impacientes. Um dia destes da semana, por motivos de tarefas relacionadas ao cotidiano da saúde, precisei passar umas três horas na rua. Tempo suficiente para me espantar com a falta de modos e educação das pessoas nos espaços públicos. Confesso que fiquei impressionada com a total ausência de jeito, respeito e cooperação para se viver em sociedade.
Falar ao celular, por exemplo, estacionando o corpo no meio da calçada e, em consequência, interromper a passagem dos que vem (ou gostariam de vir) em seguida é hábito usual. Não importa se tal ato está sendo inconveniente com o coletivo. Responder ao whats enquanto espera o sinal ficar verde para o pedestre atravessar a faixa e não perceber que o semáforo já mudou, trancando o trânsito de quem precisa passar é corriqueira. Dane-se quem está atrás um tempo considerável aguardando a sua vez de cruzar tal avenida movimentada. A resposta no whats não pode esperar.
E aquelas pessoas no meio dos corredores dos shoppings que param assim bruscamente para conversar com alguém, mexer na bolsa, olhar o celular ou simplesmente pensar no momento seguinte? Azar de quem vem atrás. Já que as pessoas não têm pisca alerta. Aliás, seria uma excelente ideia. Sei lá, mas defendo que estas criaturas, mais imprudentes e imprevistas, deveriam andar com sinalizadores. Facilitaria tanto a vida de quem vem atrás.
Já que estou apresentando ideias inovadoras, que tal um manual de boas maneiras para se viver em sociedade? Um pequeno guia prático para não ser inoportuno (a) e mal educado (a) em situações corriqueiras e não atrapalhar a vida dos outros. Creio que seria uma solução.
Com regras básicas para se trafegar em espaços públicos e não perturbar a vida dos outros. Com conceitos fundamentais de como usar o celular nas esquinas, ruas e avenidas. Sem falar em cinemas e eventos de lazer. Com conselhos essenciais para não trancar a passagem dos outros nas sinaleiras. E sugestões de não expor toda a vida íntima em conversas altas em transportes coletivos. Quem sabe alguns itens sobre comportamento em filas de bancos, farmácias, cinemas e supermercados, risadas altas em enterros, tom de voz elevado em hospitais e cemitérios.
Vejam só. Nem estou me referindo aquelas palavras mágicas que são bem-vindas em qualquer situação (bom dia, por favor, muito obrigada, por gentileza, com licença) que emitem sons confortantes para dias mais agradáveis. Falo somente de atitudes simples que mudariam a vida de todos e todas que vivem neste planeta chamado terra. Para melhorar a convivência em sociedade.


One Comment
Excelente reflexão.
É bem verdade! A gente fica engasgada em presenciar a cada dia um individualismo que dá nos nervos.
Aquele: sai, vai dar uma volta pra se distrair.
Hoje falta dizer: a sanidade adverte, você pode retornar visivelmente irritado.
Haja paciência e coragem pra enfrentar a falta de educação.
Boa, Marcia.
Amei ler o que é tão verdade!
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