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Mayara Petruso não sabe o que diz e cai no inferno

Ao pedir a morte dos nordestinos por afogamento, a jovem estudante de Direito afundou nas águas tormentosas do arrependimento. Vai pagar caro porque, após …

Ao pedir a morte dos nordestinos por afogamento, a jovem estudante de Direito afundou nas águas tormentosas do arrependimento. Vai pagar caro porque, após analisar o efeito dominó de sua ação criminosa em centenas de twitters,  a jovem foi alvo de uma notícia-crime pela OAB de Pernambuco e pelo Ministério Público Federal em São Paulo, que agora avalia se e como deve denunciá-la, a fim de que seu julgamento imponha uma punição exemplar. A representação da OAB-PE é contra a estudante de Direito Mayara Petruso, assim como a de São Paulo, e somente contra ela, por seu texto abominável ter inspirado centenas de apoios e seguidores de igual sordidez. Segundo o presidente da OAB-PE, Henrique Mariano, Mayara deve responder por crime de racismo (pena de dois a cinco anos de prisão, mais multa) e incitação pública de prática de crime (cuja pena é detenção de três a seis meses, ou multa), no caso, homicídio.

Não é para menos. Estas eleições fizerem emergir, por meio da internet, algo que só se via no período mais sombrio da ditadura, quando a Junta Militar fechava os olhos para as ações anônimas de paramilitares. O resultado das eleições provocou o surgimento de uma parcela importante da juventude tomada de ódio  pelos brasileiros do Nordeste.

Como disse muito bem Michel Blanco, sênior do Yahoo Brasil: “ no entanto, não é retrato das tensões do momento. É uma fotografia embolorada, guardada num fundo de armário, agora trazida à tona. Quem triscou fogo nos spams sabia que o ódio fermentava. Bastava uma faísca. Se tiver estômago, pode ler uma coletânea de tweets odientos — e odiosos — no Diga não à Xenofobia. A menina não está só”.

Ora, com a média de idade entre 25 e 30 anos, percebe-se assim o modo como uma significativa parcela da geração shopping center decidiu entrar para a “política” e exercer sua “militância”. Ficaram à vontade para se valerem das mesmas atitudes distorcidas, da mesma amoralidade, no mesmo ambiente vale-tudo, e com a mesma barbárie com que sempre transitaram em seus blogs e microblogs. Com a mesma certeza de impunidade.

Contudo, não é bem assim. Há muito que o país vive no Estado de Direito. Em outra crônica, fiz elogios rasgados às novíssimas gerações de agentes e Procuradores do Ministério Público Federal, rapazes e garotas com valores bem firmados, e que perseguem o sonho de um país mais decente. Num país assim, Mayara Petruso e seus seguidores não têm ambiente seguro para frutificar suas fantasias grotescas. Digo fantasias, porque Mayara, ao escrever aquelas barbaridades, no fundo, fez para ser aplaudida pela galera, para conquistar a maior visitação do dia, para receber elogios de outros retardadinhos. Não queria matar ninguém. Fez e foi para o inferno, fez e caiu na marginalidade, agora, como se fosse portadora de doença contagiosa. Como ela, os demais retardadinhos que estavam pregando por campos de concentração e fornos crematórios “para acabar com petistas e nordestinos”, mais do que depressa, apagaram seus rastros nas redes sociais, como crianças que descobrem que, no mundo dos adultos, não se pode “brincar” com a vida e a morte dos seus semelhantes.

Autor

Paulo Tiaraju

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