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Mudando de estação: da eleição para a Copa

Por Elis Radmann

Nem a política, nem o futebol são unanimidades. A maioria das pessoas não gosta de política e a maioria também não tem interesse por futebol. Se houvesse um segundo turno para definir o interesse dos brasileiros por futebol, a eleição seria apertada, mas ganharia os que declaram que não têm interesse. Na prática, o tema também divide os brasileiros e, como na política, os mais apaixonados ganham mais visibilidade.

Segundo a última pesquisa divulgada pelo Datafolha, em julho de 2022, 51% dos brasileiros não têm interesse pela Copa do Mundo do Catar. E esta maioria de desinteressados já se manifestava em 2018, quando 53% afirmavam que não tinham interesse pela Copa do Mundo da Rússia.

Em termos de perfil, se destacam mais as mulheres, com 56% de falta de interesse. Entretanto, 44% dos homens manifestam falta de interesse pelos jogos da Copa do Mundo. Analisando por idade, todas as faixas etárias acima de 25 anos se mantêm na média geral, a maioria não tem interesse. A exceção está na faixa de 16 a 24 anos, em que apenas 1/3 não tem interesse. Curiosamente, a segmentação por escolaridade mostra que são as pessoas com curso superior que apresentam o maior interesse pela Copa. 

A pesquisa indica que 22% dos brasileiros demonstram muito interesse, será o grupo que irá parar e festejar intensamente e fará muito barulho. Os que têm recursos financeiros, dentro desse grupo, estarão presencialmente no Catar, acompanhando a seleção brasileira. 

Os que se auto classificam com interesse médio, representam 20%. Torcem de forma mais discreta e contida, mas tendem a ser mais ativos, conforme o Brasil for avançando em direção à final. Os que afirmam que têm pouco interesse constituem um grupo de 6% da população e 1% dos entrevistados não soube se auto classificar quando o assunto é Copa do Mundo de Futebol.

Os brasileiros foram questionados sobre a atuação do técnico Tite. Neste caso, a maioria dos entrevistados declarou a sua opinião, mostrando que o juízo de valor é maior do que o interesse: 47% avaliaram o desempenho de Tite como ótimo e bom, 24% como regular, 7% como ruim e péssimo e apenas 22% afirmaram que não podiam avaliar, pois não acompanham o tema.

Outra questão que demonstrou que os entrevistados podem não se interessar, mas gostam de opinar sobre futebol, foi quando se contextualizou que o técnico Tite já anunciou que não seguirá como técnico da seleção brasileira após a Copa do Mundo e, logo em seguida, se perguntou sobre se eram a favor ou contra que um técnico estrangeiro assuma o comando da seleção brasileira de futebol. A resposta da maioria foi contra a entrada de um técnico estrangeiro para comandar a seleção, 55%. Sendo que 30% disseram que são favoráveis e 15% não souberam opinar ou se mostraram indiferentes ao tema.

Colocando a lupa na pesquisa, pode-se concluir que o futebol faz parte do DNA da população brasileira. Mesmo que a “maioria” afirme que não têm interesse, a “maioria” da população sabe dar o seu pitaco quando o assunto é futebol. 

Autor

Elis Radmann

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996 e tem a ciência como vocação e formação. Socióloga (MTB 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e tem especialização em Ciência Política pela mesma instituição. Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Elis é conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) e Conselheira de Desburocratização e Empreendedorismo no Governo do Rio Grande do Sul. Coordenou a execução da pesquisa EPICOVID-19 no Estado. Tem coluna publicada semanalmente em vários portais de notícias e jornais do RS. E-mail para contato: [email protected]
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