Mulher é coorporativa? Sim, não pairam dúvidas. Como não ser? Quando ela diz ‘objeto do desejo’ o homem logo imagina um carro, ou uma caixa de cerveja. Ela diz ‘cooperação’, no sentido da divisão das tarefas domésticas, e o homem imagina o ataque cooperando com a zaga para fechar o gol. Elas diziam ‘movimento feminino pela conquista do espaço’ e os caras logo imaginavam o movimento dos quadris no espaço do queijinho. É complicado. A suposição é a de que as mulheres se aglutinam para conversar e confirmarem que não estão ficando loucas. Ou, no mínimo, porque todas têm um problema comum chamado homem. Por isso, fazem grupos de auto-ajuda informal. O sucesso profissional delas condenou milhares de homens à áspera solidão dos desertos existenciais. É como se, de uma hora para outra (dentro da história 10 anos equivale de uma hora para outra), o dinheiro dos homens não valesse mais nada como instrumento de sedução. Não tenho muita certeza quando se trata de uma montanha de grana.
É como se elas descobrissem, consumado o primeiro ato sexual com o gajo, que aquele “deus” que a seduziu, imediatamente já começa a se comportar como se fosse seu filho. Ele quer sair correndo para ir brincar com os amigos, não tira os olhos do controle remoto da TV, ou não pára de olhar o relógio. Beijinho depois de transar? Por que? Para o homem é como se lhe servissem um filé mal passado depois do almoço. Ele está satisfeito, pelo menos nos próximos 30 minutos, ou quer dormir ou assistir TV. Se não se comporta assim, é qualquer coisa, menos homem.
O fato é que, em razoável medida, as mulheres já têm mais poder aquisitivo que muitos barbados. Então o que conta para elas agora é a qualidade do mancebo. Qualidades morais, estéticas, atitudes mais civilizadas, um pouco mais de bom gosto, não fumar, não sofrer de burrocefalose e ter uma razoável pontaria para não gotejar fora do vaso, e, claro, o cara deve ser financeiramente bem resolvido, convenhamos, uma ínfima minoria masculina.
Na dificuldade de encontrarem o modelo do ideal feminino, prevaleceu o sofisticado critério do “Não tem tu vai tu mesmo”, com as conseqüentes decepções. Ou seja, o “Ele mesmo” não segurou a onda da nova mulher, mas isso não o impediu de gerar seus rebentos. Em uma mesa de bar, nove entre 10 mulheres divorciadas estão falando mal dos homens, enquanto nove entre 10 homens estão inocentemente falando bem de uma mulher ou de um time, pobrezinhos. Estão ali a exaltar os atributos femininos, inocentes e iludidos. Homem é um bicho ingênuo mesmo. Todo o seu expertise, a sua malandragem, ou seu raciocínio de aço escovado, tudo isso desaba num piscar de olhos, à visão de um decote, um par de seios atônitos, aqueles que balançam apontando para várias direções.
As mulheres não têm a mais vaga noção do quanto os homens são assombrados com a genitália feminina. Não se trata do órgão sexual, propriamente dito. Refiro-me à representação lúbrica e imaginária que os homens fazem dela. O aspecto mais sombrio deste mal entendido histórico está exposto no Museu Universal da Tortura: não por acaso, mais da metade dos instrumentos medievais criados pela Igreja são engenhosos alicates, e todo o tipo de pinças e ganchos de ferro, com o objetivo de trucidar, queimar, e provocar o máximo de sofrimento possível às mulheres. Óbvio, os mamilos e a vagina eram os alvos obcessivamente fixados pelos Inquisidores.
No moderno imaginário masculino, prevalece o mistério inescrutável, um labirinto que tanto pode levar ao êxtase quanto à loucura, ou até mesmo à ruína. Reputações, impérios e fortunas já foram tragados por suas águas profundas – vide a recente história do senador Jader Barbalho versus MônicaVeloso -, os homens saíram dali e passam a vida inteira querendo entrar novamente, e, quando desistem, morrem. Quem é mesmo o sexo frágil?

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