Não está sendo fácil, mas temos que reagir

Por Elis Radmann

A pandemia tem nos castigado. E quando achávamos que ela iria começar a nos dar uma trégua, veio com toda força! O noticiário está pesado, é duro assistir ao número de infectados, de mortos e ao número de pessoas que aguardam um leito de UTI. É mais duro ainda ouvir que todo dia aumenta o número de mortos e aumenta o número de pessoas que precisam de leitos de UTI. Parece que a conta não fecha.

É impactante ver os depoimentos dos profissionais da saúde que estão na linha de frente, dizendo que precisam escolher quem será atendido. É preocupante o alerta dos infectologistas sobre as novas cepas e variantes do vírus. Dá um aperto no coração ver a história de quem perdeu um familiar para a Covid, sem nem poder se despedir. E a alma dói quando a história é de uma professora de 32 anos que conheci e que perdeu a batalha para a doença. 

A pandemia ataca nossa saúde física, mas também ataca nossa saúde financeira. Todos os números são difíceis nesse momento, inclusive os que mostram o total das contas a pagar e o total de recebimentos do mês. Outra conta que não está fechando para muitos gaúchos.

Os números negativos se juntam à preocupação, à incerteza e ao medo em relação a tudo o que estamos vivendo. E a nossa saúde emocional e mental também está sendo testada. Estamos sendo colocados à prova, literalmente!

Como cientista social e política, vejo os números da opinião pública, os resultados de pesquisas realizadas pelo IPO - Instituto Pesquisas de Opinião. Os gráficos mostram que mais da metade dos gaúchos avaliam que a pandemia está fora de controle, sendo que 40% estão com dificuldades financeiras e 1/3 com problemas emocionais, sofrendo com ansiedade, estresse ou depressão.

Vivemos um momento em que precisamos de um respiro de tudo isso. A maior parte das pessoas terminam de responder o questionário e já dizem: "não está sendo fácil", "não estou aguentando mais", "isso é culpa do político tal", "tudo isso porque as pessoas não se cuidam", "estou farto dessa situação". Também tem os que não acreditam que há um problema tão sério e os que negam o problema.

O desafio está na forma como estamos encarando tudo isso. Temos que lutar contra um inimigo invisível. Um inimigo que está cada vez mais perto de cada um de nós. Não adianta desligar a TV ou criticar o gestor público local, estadual ou nacional. Não adianta fazer de conta que não tem nada acontecendo ou que esse vírus não é tudo isso que falam.

É hora de todos termos consciência, respeito e muito cuidado. Precisamos olhar para esse cenário e perceber que é necessário um novo modelo mental para lidar com tudo isso. Uma lógica de guerra, compreender o inimigo e ajudar a diminuir a sua força, vivendo um dia após o outro com atenção, com compartilhamento de orientação. 

Se fala muito que os "soldados" dessa guerra são os profissionais da saúde, que estão no front tentando combater o vírus. Nas pesquisas de opinião as pessoas falam que a Prefeitura deveria fiscalizar mais, que o Prefeito deveria fazer tal coisa, o Governador tal coisa ou que o Presidente deveria tomar tal atitude.

Não está sendo fácil, mas é hora de cada um de nós tomar uma atitude. A fiscalização, a orientação e a cobrança devem começar dentro das nossas casas, dentro das nossas famílias, dentro dos nossos grupos de Whats. Cada um de nós pode ser um "soldado", combatendo esse vírus do jeito que é possível e com as armas que tem. Não permitir a aglomeração é o primeiro passo!

Autor
Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO - Instituto Pesquisas de Opinião em 1996. Utilizando a ciência como vocação e formação, se tornou uma especialista em comportamento da sociedade. Socióloga (MTb 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na UFPel e tem especialização em Ciência Política pela mesma universidade. Mestre em Ciência Política pela UFRGS e professora universitária, Elis é diretora e Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) www.asbpm.org.br

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