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Não sou imbecil

Cansei. Quero mesada.(Eliziário Goulart Rocha) Face ao escândalo do “mensalão”, Eliziário esperneia aqui em Coletiva.net pelo seu direito de participar e exige mesada. Nada …

Cansei. Quero mesada.
(Eliziário Goulart Rocha)

Face ao escândalo do “mensalão”, Eliziário esperneia aqui em Coletiva.net pelo seu direito de participar e exige mesada. Nada mais justo, mas mensalidade é modéstia dele.

Eu quero mesmo é diária e, assim como o Eliziário, não aceito merreca. Quero “diarão”.

Abrir o jornal e ler a corrupção do dia ou ser notificado que a Justiça permitiu que mais um criminoso ou ladrão livrasse a cara exige, no mínimo, uma diária-cidadania. E assim como os corruptos, também não aceito merreca.  Quero “diarão”.

Há dias, empresário irresponsável por obra de um edifício cujo desabamento matou gente e desabrigou famílias, no Rio, foi absolvido do crime. Que a Justiça, por justiça, deposite minha diária, no mínimo, no valor de um apartamento dois quartos num edifício indesabável.

Não sei e você nunca saberá a origem daquele dinheiro encontrado – ao vivo -, no cofre do marido da Roseana Sarney. Debitem a diária de 1%, por favor, na minha conta.

O dinheiro do sr. Paulo Salim Maluf, nas Ilhas Cayman – já provado ser dele mesmo –,  além de não ter sido confiscado, foi abençoado pela prescrição do crime. Face à idade. A Justiça “lavou” o dinheiro e eu, cansado de tanta corrupção, exijo que me patrocinem férias-cidadão de 30 dias, off Brazil, e pode ser lá no Caribe mesmo.

O jogo do bicho foi proscrito há 59 anos e nenhuma autoridade lembra-se disso – não sou contra esse jogo popular, sou contra a corrupção – e mereço uma diária correspondente ao prêmio de 10 reais na milhar do ano da proibição – 1946: 5.000 reais.

Vivemos num país dono de riquíssimas vertentes folclóricas, e o Governo ainda se dá ao luxo de criar um folclore oficial. É o caso da Receita Federal, que todo ano cobra de você a declaração do Imposto de Renda sobre o “Ano Calendário”, como se houvesse algum tipo de ano que não fosse de algum calendário, seja ele gregoriano, hebraico ou chinês. Para lembrar aos israelitas e chineses a qual calendário pertence o ano 2005, a Receita teria que explicitar: “Ano 2005 do Calendário Gregoriano”, para nenhum empresário se fazer de anjo e informar sobre o “Ano Fiscal”. Por essa assessoria não quero uma diária, um minitributo à Lógica e ao Estado, coisa que como cidadão retribuo de graça, pois estudei de graça em colégio público. 

“Alíquota é o percentual com que um tributo incide sobre o valor da coisa tributada. Fixado em lei, este percentual se aplica sobre a base de cálculo do fato gerador, determinando-se, assim, a importância devida ao fisco”.

Essa definição de alíquota nunca foi colocada em discussão e os responsáveis pelo folclore oficial inventaram a “alíquota interna”. Pegue, leitor, uma conta onde incide o ICMS, um imposto estadual, e veja como essa esdrúxula criação – alíquota interna – corrompe o idioma, inventa um cálculo fajuto e escamoteia um fato tamanho família, o percentual verdadeiro do tributo pago.

No caso do Estado do Rio, a conta telefônica de R$ 100,00, por exemplo, chega com o seguinte histórico:

Base de cálculo: 100,00

Alíquota: 30%

Valor: 30,00

Essa não é uma alíquota “tout court” e sim uma “alíquota interna”, fato relevante e omitido na conta. Se o “fato gerador” foi de 70,00, qualquer pessoa com mínimos conhecimentos de aritmética  verifica que a verdadeira alíquota aplicada foi de 42, 85% e frações.

Estou tão chateado quanto você por escrever uma crônica tão chata, mas querer provar aos outros que você não é imbecil, não tem charme. Mas também não sou tão folgado para clamar por um diarião sem mostrar serviço e justificar motivos.

Inté.

Mario de Almeida é jornalista, publicitário, dramaturgo, autor de “Antonio’s, caleidoscópio de um bar” (Ed. Record), “História do Comércio do Brasil – Iluminando a memória” (Confederação Nacional do Comércio), co-autor, com Rafael Guimaraens, de “Trem de Volta – Teatro de Equipe” (Libretos) e um dos autores de “64 Para não esquecer”.

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Autor

Mario de Almeida

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