Às vezes, o cronista senta-se no computador já com uma ideia sobre o que vai escrever. Às vezes, não. Hoje é o dia do não.
Lembrei-me, não por acaso, de minha irmã Rachel, a quem por muitas vezes fui obrigado a afirmar: – Mana, sou uma pessoa diferente, sem que isso me faça julgar ser melhor ou pior que os outros, sou aquele sinal de matemática que significa “diferente de”.
Sentei-me sem assunto, mas com a certeza de que um único assunto estaria totalmente fora de cogitação, a tragédia de Santa Maria, cidade da qual só conheço a estação.
Sou diferente, mas humano, e a tragédia, é claro, suscitou a minha piedade, mas nunca a vontade de escrever sobre ela. Enalteço a competência do jornalismo, cuja cobertura nos fez reiterar a evidência de que o alto nível de nossas grandes empresas esteve presente. E calo-me.
Meu sobrinho, Carlos Eduardo da Cunha, doutor/ professor em Florianópolis, está recebendo da PEC SUL Consulting, daquele estado, a quem prestou serviços de sua área, todos os sintomas de um clamoroso “cano”,
Lembrei-me que há muito, quando eu era sócio de uma empresa de arquitetura promocional, uma popular indústria têxtil paulista, depois do trabalho executado, assinou três promissórias do saldo devedor. Vencida a terceira, sem a quitação de nenhuma e sem retorno da empresa, juntei-as todas numa cartolina, chamei um fotógrafo que fez a foto e me entregou uma cópia bem ampliada. Preguei a foto na parede e mandei uma cópia reduzida com a pergunta: Quando é que vocês vão liberar minha parede? Dias depois, um sobrinho do empresário baixou no meu escritório no Rio, trocou as promissórias por um cheque e eu guardei o”souvenir” por uns tempos.
Agora, sugeri ao meu sobrinho, entre outras medidas, que contratasse um homem-sanduíche e o fizesse circular pelo Centro de Florianópolis denunciando a tentativa de tunga e mandasse a foto para os jornais.
De outra feita, um grande empresário carioca da construção civil solicitou um trabalho ao nosso escritório. Acontece que o ilustre era conhecido e notório no mercado como um grande caloteiro, coisa que eu já sabia e, mesmo assim, fui advertido por colegas de ofício.
Na véspera de mostrar em cartolina a maquete do projeto ao cliente, perguntei ao meu sócio quanto ele achava que deveríamos cobrar. Não me lembro qual era a moeda da ocasião, mas ele disse 15 mil. Expliquei que a gente, como de praxe, iria receber 50% para começar o trabalho e o restante na sua conclusão.
Na apresentação do projeto, percebi-o vendido pela evidente demonstração do cliente. Já discutindo detalhes, ele parou e perguntou pelo preço. Ao ler o orçamento ficou branco, alegando 36 mil ser muito alto. Dei todas as justificativas, incluindo a de que nossos preços refletiam a qualidade e imagem de nosso escritório…
Depois de uma hora de discussão sobre preço e detalhes do projeto, eu propus:
– Fulano, eu baixo aí nesse próprio documento o valor para 30 mil, você nos paga 15 mil agora, 15 no final e a gente não perde mais tempo – o que foi acertado.
Já assegurado o recebimento integral do valor do trabalho por nós desejado, ao final do mesmo, por dever de ofício, cobrei os 15 mil restantes. Recebemos!!!
Quanto custa um mau cadastro!
Inté.
Vitrine
Mário,
Seu editorial está ótimo. Só um detalhe: os “brizolões” descuidaram do conteúdo e realçaram o visível (arquitetura). Sem conteúdo a escola não edifica o ser humano. Um abração, Aleluia, Gilberto Ramos, Rio.
Mario, como diz o ditado, “de boas intenções o inferno está cheio” pode ser uma explicação para o fracasso dos Cieps, ou talvez é que estamos no Brasil e não na Dinamarca ou outro país civilizado. Segue uma história interessante passada com uma empregada que tivemos. Na época eu estava separado da 1ª mulher e vivia com aquela com quem morei em sua casa da Paulo Moreno. Bem antes disso estávamos em um apartamento na Humberto de Campos, na “Selva de Pedra”. O Ciep em frente ao Flamengo estava para ser inaugurado e nossa empregada tinha uma filha cursando uma das primeiras séries, não lembro qual. Seu sonho era matricular a filha naquela escola (modelo e vitrine entre os Cieps). Bem, a Silvia, minha ex, mexeu os pauzinhos e conseguiu a vaga.para a menina, não preciso dizer qual foi a alegria da mãe. Só foi menor que a sua tristeza quando seis meses após ela implorava para a saída da menina daquele inferno infantil, onde as meninas eram curradas nos banheiros e a maconha (o crack ainda não era moda) corria solta, tudo isso nos horários após as aulas, quando deveriam ser preenchidos com atividades culturais e esportivas, porém… era sim a zorra total! Abraços. Ricardo Mello Abreu, Rio.
Muito bom seu artigo, Mario. Concordo completamente. Jose Roberto Filippelli, Araras, RJ.

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