Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos. (Pablo Neruda)
Gostaria de escrever algo que não saísse mais da cabeça dos leitores.
Lembrei-me do Nootropil, cuja bula começa assim: “Tratamento sintomático da síndrome psico-orgânica cujas características melhoradas pelo tratamento são perda de memória, alterações da atenção e falta de direção”.
Pois é, se cada leitor guardar esse nome para sempre, eis a possibilidade do colunista ficar eterno, ou melhor, ser infinito enquanto o nome da droga durar na lembrança do leitorado.
Portanto, preste-me um gesto de solidariedade e guarde com carinho essa palavra mágica: Nootropil.
Gostaria de mexer com a melhor memória do leitor e conduzi-lo a um reino privativo dos que não se cansaram de amar e guardaram, bem guardado, aquele momento mágico em que o coração é travado na descoberta do amor. Você se lembra?
Privativo dos que sofreram por amor, há ainda o reino das despedidas onde dois jovens, inda confusos, se dizem adeus. Guardo no peito a cicatriz da ferida de um mês de setembro, de um aeroporto e de um adeus. Cicatriz sem possibilidade de remoção, mais definitiva que todas as outras chagas que marcaram a jornada.
Há tantos patrimônios inefáveis no ato de existir que catá-los significa juntar extremos, entender as dores como privilégios de quem não é oco.
Se a dor é o sentimento das trevas, ela é, também, uma revivência dos grandes momentos, uma luz naquilo que se foi. Existe uma dialética invisível unindo os opostos.
Hoje, por acaso, demorei-me um pouco observando minha mulher, uma filha e neta.
Debrucei-me no tempo e a memória iluminou um caleidoscópio com infinitos espelhos, apenas fragmentos de uma vida inteira.
Não devia ter tomado Nootropil.
Inté.
Vitrine (comentários sobre a coluna anterior)
Mario, com todo respeito a todas opiniões publicadas sobre política e/ou politicagens, poder e tudo o que está relacionado, neste momento vejo tudo isso como uma comprovação do nosso primitivismo comportamental.
Não tenho intenção de ofender a ninguém e até já peço desculpas.
Na minha percepção o ser humano, em sua maioria, é preguiçoso e quer alguém que dê direção à sua vida, alguém que o comande. Não é à toa que as religiões proliferam como pragas. A maioria quer transferir a responsabilidade de ser feliz e de fazer acontecer qualquer coisa pra alguém que esteja disposto a fingir que aceita esta missão em troca de notoriedade e uma ilusão de poder.
E paga-se um preço altíssimo por esta preguiça de ser dono de si mesmo, de cumprir o seu papel social.
Mais fácil votar em um político e, se não der certo, colocar o resultado nas mãos de Deus.
Seremos evoluídos quando, finalmente, formos conscientes e responsáveis. Sem preguiça e covardia. Até lá, precisaremos de políticos.
É só a visão de alguém que ainda tem muito a aprender e sempre disposta a mudar de ideia pra melhor.
Bjx de saudades e que bom que tenho vc pra me instigar a pensar.
Circe Aguiar, professora, Rio
Brinde: 10000 cantando Beethoven! http://www.youtube.com/embed/paH0V6JLxSI


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