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Andei catando na imprensa alguns números que considero interessantes e que se prestam a algumas considerações. Comecemos pelos transportes. Em São Paulo, é preciso …

Andei catando na imprensa alguns números que considero interessantes e que se prestam a algumas considerações. Comecemos pelos transportes.

Em São Paulo, é preciso trabalhar 13,89 minutos e no Rio de Janeiro 12,73 para pagar uma passagem de ônibus. Na Argentina, uma passagem custa 1,44 minuto, em Nova York, 6,33 e em Londres, uma das cidades mais caras do mundo, 11,06 minutos.

De acordo com o professor Samy Dana, da Fundação Getúlio Vargas, entre 1994 e 2013, o salário mínimo cresceu 161,41%, e as passagens de ônibus, em São Paulo, aumentaram 308,29%.

Esses números, por si só, sem entrar no mérito da qualidade dos serviços, justificariam um protesto, não contra o aumento do preço das passagens, mas pela sua redução.

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Leonel Brizola, eleito governador do Rio Grande do Sul, em 1958, havia prometido, em sua campanha eleitoral, que onde houvesse no Estado criança em idade escolar, haveria uma escola.

Seu governo partiu direto para o cumprimento da promessa eleitoral, numa surpreendente escala de grandeza, com a construção e implantação de centenas de unidades escolares. Os gestores do programa perceberam, com antecedência, que no ritmo que o programa se desenvolvia, em pouco tempo faltariam professores.

Foi criada, para evitar o impasse, uma mobilização de pessoas capacitadas para o exercício do magistério básico – então, os primeiros quatro anos de escolaridade – e implantado, para tal, um curso tipo intensivo. 

A ideia aconteceu, deu resultados, e o Governo Brizola cumpriu sua promessa.

Fiquei sabendo, agora, através de um artigo da professora Andrea Ramal, que o Brasil tem um déficit de 300 mil professores só na educação média.

Não é difícil descobrir os muitos motivos desse déficit.

O piso salarial da classe é de R$ 1.567,00 (mais do que salário, é um deboche) e, de há muito, não só por isso, a profissão está socialmente rebaixada.

Esse alarmante déficit de professores manda um alerta sinistro do Rio Grande do Norte, onde há escolas em que os alunos não vão às aulas duas vezes por semana, pois está havendo um rodízio de professores para dar assistência ao total de estudantes.  Sinistro é pouco.

Vamos ver se o orçamento da educação, engordado com a transferência de royalties do petróleo, encontra soluções criativas para dar uma injeção de esperança no futuro do país.

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Pela coluna do Ancelmo Gois (O Globo), o Ministério do Turismo informa que a Copa das Confederações atraiu apenas uns 20 mil turistas estrangeiros e não mobilizou nem mesmo turistas de outros estados. Segundo o ministro, uma das razões é que o Brasil está muito caro.

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Recebi um e-mail com a relação dos países onde se paga menos e mais impostos. O Brasil é o campeão disparado, com mais que o dobro de horas de trabalho despendidas para pagar impostos – 2.600 – sobre o segundo colocado.

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Inté.

Vitrine (comentários sobre a coluna anterior)

Mario, você precisa escrever mais sobre política. Tão bom! Bjx, Circe (Aguiar), Rio

Mario, ainda bem que V. quebrou o silêncio… excelente texto. Assino embaixo! Abraço, Rodrigo (Sá Menezes), São Paulo

Querido Mario, tão feliz quanto você, vi o povo brasileiro sair da apatia e gritar sua insatisfação. Sábado passado fui pra rua, numa festa cívica e colorida, mas não menos crítica. Em nossa pequena Bebedouro também estamos reagindo e dizendo NÃO à corrupção, ao atraso, ao aparelhamento do Estado e a tudo o mais que torna nossa vida um inferno. Um grande beijo, Monica (Magaldi), Bebedouro, SP

Manifestação em Bebedouro, SP

Manifestação em Bebedouro, SP

Autor

Mario de Almeida

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