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O amor mais sincero

Por José Antônio Moraes de Oliveira

O irreverente romancista e jornalista George Bernard Shaw, ao mesmo tempo que ironizava o modo de vida dos franceses, adotou uma de suas manias mais típicas, a visita matutina à padaria da esquina. Em uma de suas muitas temporadas em Paris, se divertia percorrendo as antigas boulangeries. E afimava que o dia só começava depois de uma fatia de pão recém-saído do forno.

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Para os franceses, padaria não é sòmente uma loja que vende pães e brioches, mas parte significativa da cultura nacional. O escritor certamente frequentava a Patisserie Stohrer, na rue Montorgueil, no 2º arrondissement. Foi fundada em 1730 por um pasteleiro da corte do rei Luís XV e preserva receitas e técnicas ancestrais. Shaw deve ter apreciado seus pães quando escreveu: 

Não existe nada mais sincero do que o amor do padeiro por seu pão”.

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Em uma próxima viagem a Paris, o turista não-acidental deve praticar este prazeiroso costume – visitar as antigas e padarias ainda em funcionamento. A sugestão é buscar aquelas que tem na porta a placa Artisan Boulanger. É a garantia que ali são preparados os melhores pães e brioches. O Guia Michelin confirma e indica:

  • – Le Grenier à Pain. Rue des Abbesses, 38, Montmartre. Levou várias vezes o prêmio da melhor baguette de Paris. Fazem sucesso os pães de amêndoas e as tartines de chocolate amargo 

 

  • – Pierre Hermé. Avenue des Champs-Elysées, 86. Famosa pelos macarons de jasmim, grapefruit e noz-moscada. Os clientes elogiam viennoiseries, croissants glaceados de framboesa e os kugelhopfs, de xarope de flor de laranjeira e passas ao rum.

 

  • – Jean Millet, perto da Torre Eiffel, no 7º arrondissement. Sempre tem filas pelas fornadas do pain au chocolat, apontado como o melhor da casa. Outras especialidades – sables au citron, beignets, éclairs e palmiers.

 

  • – Maison Kayser. Rue Monge, 14. Oferece imensa variedade de pães. Os mais populares são a baguette de passas e o pain de céréales, com casca crocante e massa levíssima.

 

  • – Pain d’Epis. Avenue Bosquet, 63. Frequentada por celebridades, que elegem os fougasses, com óleo de oliva, páprica, tomates secos e queijo de cabra. A baguette royale costuma ter fila de espera. 

 

  • – Blé Sucré. Place Trousseau. Os parisienses costumam saborear os croissants e o pain au chocolat no pátio da praça em frente.

 

  • – Du Pain et des Idées. Rue Marseille com rue Yves Toudic. Fundada em 1889, faz pães à moda antiga em forno de pedra. A dica são os chaussons de maçã e o mouna, um brioche amanteigado e perfumado com flor de laranjeira.

 

  • – Le Moulin de la Vierge. Avenue de Suffren, 166. Andre Lefort é herdeiro de uma linhagem de padeiros.  Ele faz o pain de campagne em um antigo forno a lenha, de acordo com tradição camponesa. É bom chegar cedo, pois as fornadas de pain au raisins e da baguette paresseuse se esgotam em minutos.

 

Bon Apétit!

Autor

José Antônio M. de Oliveira

O colunista é um veterano jornalista e publicitário. Assina uma coluna no Coletiva desde 2005. Foi repórter e redator nos jornais A Hora, Jornal do Comércio, Folha da Tarde e Correio do Povo. Como publicitário, atuou na MPM Propaganda nas sedes de Porto Alegre, do Rio de Janeiro, de São Paulo e também em Nova York, durante o convênio MPM / N.W.Ayer Advertising. Criou e redigiu comerciais e anúncios para Ipiranga, Renner, Banco do Brasil, Embratur, I Love New York, Pan American World Airways e American Airlines. Diretor de Comunicação do Grupo Iochpe, foi co-fundador do CENP, a entidade de normas éticas para anunciantes e agências de publicidade. Em 2021 publicou o livro de memórias ‘Entre Dois Verões’ – já esgotado – contendo 30 crônicas sobre sua infância nos campos do Sul e na Porto Alegre dos anos 50. Agora, volta à cidade em seu segundo livro, ‘Um Rio Portas Adentro’, onde registra e relembra as grandes cheias que assolaram a cidade em 1941 e 2024 e presta tributo a algumas das personagens mais singulares e sedutoras que agitaram Porto Alegre em seus anos dourados. E-mail para contato: [email protected]
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