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O eleitor vai dar um Google

Por Elis Radmann

Última semana de campanha eleitoral, os eleitores já se informaram sobre as candidaturas das mais variadas formas e ainda tem até os que ainda não se informaram.

Os que ainda não se informaram são os eleitores descrentes, que não acreditam na política e tendem a votar branco ou nulo e aqueles que irão decidir na última hora, que representam 1 em cada 10 eleitores. 

Os eleitores de “última hora” são aqueles que geralmente fazem a diferença ou decidem o processo eleitoral. Também podem ser responsáveis por mexer nas tendências e fazer com que os dados das últimas pesquisas eleitorais publicadas não batam com os resultados da urna. No caso da campanha para Presidente da República, esses eleitores poderão ser decisivos para que não haja um segundo turno.

Os eleitores de “última hora” mostram-se pouco interessados por política, mas costumam votar. Vão “pedir cola” para os amigos e familiares, investigar quem está na frente nas pesquisas ou ser influenciados pelos movimentos no dia da eleição, pela “proibida”, mas oculta “boca de urna”. 

De uma forma geral, o processo de informação sobre os candidatos é constituído por ações PASSIVAS e ATIVAS. Passivamente, o eleitor é impactado pelo visual de campanha dos candidatos, desde o material exposto de forma física, passando pela propaganda eleitoral e os comerciais veiculados no rádio e na TV, indo até os impulsionamentos de postagens digitais que aparecem na timeline do eleitor.

Passivamente o eleitor não tem escolha. Pode optar por não assistir o horário eleitoral gratuito, mas é pego pelos comerciais no meio da programação. Ao sair na rua, dá “de cara” com a propaganda dos candidatos e, se fica em casa, é impactado por um carro de som ou pela visita dos próprios candidatos. E se pegar o celular e acessar o feed de notícias ou uma rede social, vai ver matérias jornalísticas sobre as campanhas ou vídeos e fotos dos candidatos.

Ativamente, o eleitor está mais empoderado do que nas eleições anteriores. Os eleitores têm conversado com seus amigos e familiares, que representam sua “bolha” de relações e, principalmente, pesquisado em sites de buscas, como o Google. 

Quando o eleitor simpatiza com um candidato, dá um Google para saber sobre sua vida, olhar suas fotos, seus feitos e saber o que o Google conta sobre o candidato. Quando ouve falar mal de um candidato, o eleitor também dá um Google, vai pesquisar se há uma associação negativa com o nome em questão, em especial, com as palavras “corrupção” e “desvio de verbas”. É comum pesquisar se o candidato de preferência é ficha limpa ou se há processos contra o mesmo.

As pesquisas quantitativas e qualitativas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião identificaram que 60% dos eleitores estão com a prática de “dar um Google” para saber mais sobre os candidatos, em especial, sobre a sua lista de prioridades.

Não é à toa que muitos candidatos estão gastando recursos do fundo eleitoral para comprar palavras-chave no Google, garantindo o bom posicionamento de seu nome quando alguém pesquisá-lo.

Autor

Elis Radmann

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996 e tem a ciência como vocação e formação. Socióloga (MTB 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e tem especialização em Ciência Política pela mesma instituição. Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Elis é conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) e Conselheira de Desburocratização e Empreendedorismo no Governo do Rio Grande do Sul. Coordenou a execução da pesquisa EPICOVID-19 no Estado. Tem coluna publicada semanalmente em vários portais de notícias e jornais do RS. E-mail para contato: [email protected]
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